Crônica: Saudades dos meus circos

Que menino não entrou em um circo sem passar pela bilheteria, quer dizer, passando pelo arame da cerca de proteção, nem roubou frutas nos quintal ou cercados alheio não pode dizer que foi menino. Digamos que só passou pela infância mas não foi menino.

Não é que eu esteja afirmando que a passagem pela infância tenha que única e exclusivamente passar por estas fases mas enfaticamente afirmo que foram épocas boas de menino e que dificilmente se vê na contemporaneidade. Este é apenas um ponto de vista pessoal.

Quanto a minha pessoa já me justificando, afirmo que cometi estes pecados infantis ou melhor dizendo, estas travessuras  que me renderam uma alegria imensa pela ingenuidade que tinha e uma sensação de um heroísmo que nasce da pura da alma humana. E não recordo de ter sido alguma vez surpreendido numa aventura ou outra. Não, não me lembro o que não podem dizer muitos companheiros daqueles tempos em que à alma respirava a essência da vida.

Crônica Saudades dos meus circos - Paulo César de BritoAssomam-me lembranças num borbulhar de fonte escondida numa curva qualquer do tempo, os circos de antigamente que se armava em Areia Branca. Confesso-lhes que eram mais descentes na essência do teor cultura.

Aos saudosistas quero aqui lembrar-me do African Circo de “Marilac”, ou melhor, do três irmãos Jorge o mais velho que era baterista da banda ,Roberto irmão do meio e Marilac,  a caçula da família.

As musicas mais pedida no circo era “Sozinho” com The Fevers e “Ainda amo você” do rei do brega Reginaldo Rossi. Lembra com alegria a professora Gorethi Silva.

Ao termino das sessões circense tinham os tradicionais café com pão na barraca de dona Lalita (mãe de Marilac). A conversa se estendia até altas horas da madrugada.

Após todo bate-papo, Gorethi voltava para casa e ao chegar a sua residência, sua mãe Carminha ameaçava de uma grande pisa, até que um dia a promessa foi cumprida. Lembra à saudosista Gorethi Silva, a quem devo uma crônica.

Voltando ao assunto do circo, lembram quando na década de 1970 armava ali no espaço onde é hoje parte do terreno pertencente à Caern e ao Centro Juvenil Dom Bosco? Antes Marilac desfilava pelas ruas da cidade com seus artistas todos vestidos a caráter e os animais eram conduzidos pelos seus domadores.

Marilac era uma mulher bonita e bem apresentável, sendo um atrativo de público que por sinal era muito fiel. Teve até um dom Juan areia-branquense que conquistou o coração da bela Marilac. O felizardo era Nilsinho de Pereira (In memoriam), que se encontrava as escondidas linda mulher. Ambos se amavam de verdade.

Quero lembrar também de outros circos que por aqui deixaram saudades como Xavante Circos que ficava armado ali onde hoje é o templo da Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro São João, antigo bairro dos Índios e tinha como atração principal o macaco Jacó. Lembro também d’O Circo Pigallis da famosa macaca “Catarina” armado ali onde hoje é a Quadra de Esporte Nazir Pereira Junior, no bairro da Cohab. Quero lembrar nesse espaço os circos que por aqui passaram num passado recente e que merecem destaque como O Circo do Pica-Pau, Circo do Fuxiquinho, O Babalu Circus, O Circo dos 7 Anões e o Circo Itália, o circo das feras.

Muitos artistas de renome nacional fizeram seus nomes nos picadeiro de circos e entre eles podemos citar Gretchen, Rita Cadillac, Evaldo Freire, Carlos Alexandre (In Memóriam), Carlos Alexandre Junior, Fernando Luiz, Tirica, Marcos Frota, Carolina Dickman, Caçarola, Falcão e muitos outros.

As últimas noticias que tive da grande atriz circense Marilac foi dada por Evaristo Souza nosso cantor davam conta  que ela estaria com um circo de porte pequeno na cidade de Galinhos, aqui mesmo em nosso estado. De acordo com ele, Marilac já idosa estava gorda e é mãe de 4 filhos. A atriz circense ao perceber a figura de Evaristo, o reconheceu e falou do tempo em que o circo fazia sucesso em longas temporadas por esta cidade. Ela enviou lembrança a todos que ela ainda guardava em sua lembrança.

Lembrou que sua mãe havia falecido e que seus irmãos venderam o circo, casaram-se e cada um foram viver sua vida. Outro detalhe é que um dos membros da companhia circense hoje faz parte do comando maluco do SBT dentro do programa Domingo Legal do apresentador Celso Portiolli. Falo de Martinho, o famoso coronel “Durão”, que atua ao lado do seu filho, o palhaço bananinha. Esteve em nossa cidade, mas precisamente na casa da sua ex-namorada Gorethi. Eles ainda mantém contato. Parte dos demais artistas da época de Marilac está no Circo Continental um dos maiores do Brasil, comentou Martinho.

Circos de todos os nomes e de todos os estados do nordeste, que se não fosse pela forma de circo, mastros e tudo mais, podia-se imaginar que eram naus lendárias carregadas de saudades. Não sei se ainda existem como antigamente.  Meus últimos circos se foram com o heroísmo que direi circense da minha infância. Mas deixando-me esta saudade. Por andará a inesquecível Marilac? Será

que já morreu, ou ainda vive nesse mundo de meu Deus?

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense