Crônica: A Juíza Lindalva Medeiros

É cada vez mais notória a existência de meninos e meninas de rua, que pedem dinheiro ou vendem balas nos semáforos, oferecem-se para guardar carros contra furtos, abordam pedestres na calçada, movem-se em bandos e dorme

m na rua. Cenário urbano no Brasil que, para uns, é causa de indignação com os rumos deste país e para outros, tal situação gera desconforto e insegurança.

Nas cidades grandes o fenômeno é mais comum, embora comece a inquietar a estabilidade social de que as pequenas e médias se prestigiavam há pouco tempo no que se refere à menor manifestação do problema. Até então Rio de Janeiro e São Paulo levavam a fama. Os olhos voltados para os turistas denunciavam a questão aos moradores que não deveriam entendê-la como normal.

Areia Branca, porém não é diferente das grandes metrópoles. Aqui não temos meninos e meninas de ruas, mas temos meninos nas ruas. Estes vez ou outra se tornam problemas sérios, sendo alvo de notícias constante no meio policial por praticar ou participar de pequenos furtos ou envolvimento direto com o “submundo” das drogas. Não só eu, mais toda a sociedade areia-branquense, sentimos muito com esses problemas que assolam nossa amada salinésia.

Não é que os setores competentes, digo Conselho Tutelar, Ministério Público, Juizado da Infância e da Juventude, e Policia Militar e Civil não cuide e preserve os direitos dos menores dos menores, porém digo que muito se tem para ser feito. Nosso intuito é parar de uma vez, com essa triste cena no nosso cotidiano que muitos nos entristecem.

A Juíza Lindalva Medeiros atuou na justiça de Areia Branca em meados dos anos de 1986

Faltam a própria educação e conscientização pais, que exigiam respeito e obediência aos filhos. É mais que ser um pai ou uma mãe. Estes dois integrantes que são base da família devem ser amigos e companheiros dos seus filhos preparando estes para a sociedade.

Tenho a certeza que assim como eu, parte dos moradores de Areia Branca, se lembram da Juíza Doutora Lindalva Medeiros, que em parceria com o Ministério Publico e a Policia Militar sob o comando do competente Tenente Marcos Pinheiro, no ano de 1986, realizava um grande e intenso trabalho de tirar um grupo de menores infratores das ruas. Na época tínhamos crianças como os irmãos, Claudio (Pernalonga) e Cleber (Zarolho) filhos de Alda Gata, como também George sobrinho de Corrinha Doida e João de Bagaço.

Os mesmos eram responsáveis pela promoção de pequenos furtos e badernas na cidade. Num dia,

como diz o ditado popular “anoiteceram e não amanheceram”, foram levados pela então juíza Lindalva para uma casa de apoio e assistência a criança e ao adolescente na capital, Natal.

Com o passar dos anos, parte deles foram recuperados, foi o caso de Cleber que hoje exerce a função de chefe de cozinha da Petrobras, George é proprietário de uma academia de karatê na cidade de Fortaleza, e Claudio, vez por outra, visita a nossa cidade. Já a pessoa de João de Bagaço, não teve a mesma sorte como os demais. Soube anos depois que o mesmo foi morto brutalmente ao assaltar um ônibus. Só não sei se informar se foi pela policia ou pelos passageiros do ônibus.

Doutora Lindalva andava pelas ruas junto com uma equipe de agentes de proteção. Lembro-me de alguns como, Zé Amarelinho (In memóriam) e Antonio Cassiano. O objetivo deles era colocar as crianças e adolescentes, que ficavam transitando nas ruas até ás noves horas da noite para as suas respectivas casas. Com tal atitude acabavam por dar segurança aos muitos dos funcionários que trabalhavam no período noturno em várias empresas da localidade. Muita das vezes ela pedia para que os militares dessem apoio e deixassem os funcionários na porta da empresa, pois segundo ela, era dos impostos pagos por eles, os funcionários, que seria pago o salário mensal dos policiais.

A mesma solicitava apoio das autoridades competentes e da própria família. O trabalho era levado a sério, pois a excelentíssima juíza também acompanhava os demais e via de perto, o grave problema. O que nossas autoridades deviam fazer atualmente.

Mesmo diante dos trabalhos desenvolvidos pela brava equipe do conselho tutelar e as autoridades competentes, falta mais a fazer, pois a situação a cada dia se complica mais. São menores servindo de avião (entregadores das drogas) para os traficantes. São crianças envolvidas em grandes e pequenos furtos. Agora pergunto, até quando vai esse problema vai assolar nossa sociedade? Areia Branca já não é mais aquela pacata cidade que era antes.

É hora da nossa sociedade acordar para a dura realidade e dar a sua parcela de contribuição, denunciando, sugerindo novas idéias para combater a onda de criminalidade em nossa cidade. Afinal as crianças e jovens são os futuros de nosso país e da nossa cidade? Que falta nos faz a doutora Lindalva Medeiros.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense