Crônica: Os tempos são outros

Alguns conterrâneos meus que residem em Fortaleza, digo Alberto de Socorro Buchudinho e Eriovaldo de Chinês do Gelé, me dizem que perderam o prazer de vez ou outra ir a nossa terra natal matar saudades.

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ext-align: justify”>É que só se encontra nas ruas gente desconhecida em grande maioria. Dos moradores antigos, os poucos que restam, raramente saem de casa. Assim ficam na rua sem ter com quem conversar, fazendo com que eles sintam-se como estranhos e, por isso mesmo, são olhados com indiferença pelos atuais moradores.

Ao visitar a todos nas suas casas em poucas horas de permanência na cidade, coisa é que não se pode fazer, senão para um rápido cumprimento, e fora da porta. E não é o que positivamente satisfaz.

Bom mesmo é a satisfação da conversa em tom de lembranças e recordações pelo que tem de ser demorada. No prazer do reencontro tanto pessoal como sentimental, e que eu direi a mais amável forma de renascer, em espírito.

Pela minha parte, quando saio de Areia Branca seja a trabalho ou a passeio, sinto uma saudade e uma enorme vontade de estar de volta ao meu torrão. Sinto a falta das pessoas do meu tempo, da minha geração e de décadas atrás. Meus olhos querem ver de novo a fisionomia da cidade antiga que ainda alcancei.

Assim, ponho-me a mirar a praça da maternidade, campo de futebol, os cines Miramar e São Raimundo, o bar Continental, o moinho a caminho da praia do meio, a Sobebida de Cezimar, a Praça do Fausto. A cidade perdida, com sua humanidade que meus olhos guardam, cheios de ternura.

Cadê Corrinha chamada de “doida”? Doquinha apelidado de “cutrucu”? e Beata, a “cafetina”? Corococó, zelador do mercado municipal, Luiz do Bote que era zelador dos dois cinemas existentes na cidade. Cadê o velho Paruara tangendo sua manada de gado? E seu Virgilio Amaral com a sua padaria, servindo aquela gente simples. O mingau de milho com canela em pó de dona Joana e seu Chico Buchudinho, Fabiano de tanto estudar ficou “maluco”, o recanto na casa de seu Luiz Gabriel, onde se juntava a outros amigos da época para um gostoso e proveitoso bate papo.

Da cidade velha ainda resta a arquitetura do mercado publico, parte do prédio da receita federal e parte dos galpões. Algumas casas da rua da frente, conservando por fora, o traço e as linhas da primeira construção.

Outra coisa, que me causa tristeza em ver é a desfiguração do Palacete Municipal, a casa onde moravam Clara, Cristina e Dó. Como também o Hospital Maternidade Sara Kubitschek e o Cine Miramar. De todo modo, é bom rever a nossa querida Areia Branca.

Um video no Youtube

mostra algumas imagens da Areia Branca de outros tempos. Vale a pena conferir.