Crônica: Elias Rodrigues

Vez ou outra gosto de escutar a programação das rádios locais quando na verdade colocam no ar, musicas que realmente falem de coisas boas como o amor, que realmente inspiram nossas almas a fazer novas coisas.

Sou um amante da boa musica. Na verdade os programas que gosto de ouvir são os que buscam as canções de antes e de agora. Gostos diferenciados. E outra, por que gosto de pedir as minhas musicas preferidas ao vivo. Sempre que peço, prefiro musicas que sejam cantadas pelos artistas da terra, como por exemplo, “A Sereia” do cantor Elias Rodrigues, meu amigo de infância.

O locutor Daniel Filho, quando comandava o programa Coisas da Gente nas manhãs da Costa Branca FM é quem fazia acontecer. Além da comunicação amiga, ele conhece bem o gosto musical dos seus ouvintes, misturando o clássico com o contemporâneo.

Conheci Elias Rodrigues quando criança. O mesmo morava com sua família na Rua Desembargador Filgueira, próximo a casa de candomblé da minha tia Tiquinha, onde é hoje a Mercearia Santa Águida, do comerciante Raimundo de Branca. Elias era magro, moreno, tinha cabelos do estilo Black Power.

Eu era amigo de uma de suas filhas, se não me falha a memória o nome dela era Leila ou Sheila. Elias nasceu e criou-se na praia de Pernambuquinho, município de Grossos. Desde cedo se dedicou à musica cantando e encantando a todos.

Foi Areia Branca que sagrou Elias, um grande cantor. Foi aqui nesse torrão, que Elias teve a oportunidade de gravar seu compacto discoem vinil. Oseu maior sucesso, foi a música “A Sereia”.

O exímio cantor é completo. Compositor, interprete e toca o seu instrumento preferido, o violão.

Sempre o encontrava em rodas de amigos, bebendo em mesas de bares a interpretar canções dos grandes cantores como Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Agnaldo Timóteo, Moacir Franco e outros da nossa velha guarda. A mais pedida sem sombra de duvidas era “A sereia”.

Quando criança, sempre gostei de conversar com os mais velhos, para saber disso ou daquilo. Num é que um dia encontrei Elias tomando umas doses de cachaça na bodega de seu Chico Joaquim! Foi nessa hora que falei comigo mesmo. É hora de perguntar alguma coisa. Fui me chegando devagarzinho, como quem não quer nada mas querendo e de súbitamente questionei. “Elias por que você fez a musica “A sereia”? Ele falou, “Paulinho sente ai que eu vou lhe falar como tudo começou”. Eu sentei em um velho tamborete ao lado dele que me contou toda a história da canção.

Segundo Elias, ele nunca tinha visto a sua esposa tomar banho de mar mesmo morando em regiões praianas, digo Pernambuquinho e Areia Branca. Num final de semana, ele levou sua família para passar aquele momento junto aos seus pais na praia de Pernambuquinho. Quando ele estava em cima de um barco, já se preparando para tomar seu banho de mar, de longe avistou uma morena com os cabelos longos e o corpo belíssimo a mergulhar.

Naquele momento ele não tinha percebido que se tratava de sua esposa E ela nadava em sua direção. Os cabelos flutuavam sobre as águas do mar quando de repente, ela ergue a cabeça e só neste momento é que ele percebe e vê de perto que é a sua mulher. Espantado ele gritou em alto e bom tom, “Que venha até, a mim a sereia mais bela desse meu litoral”.

A composição da musica “A Sereia” desvenda e valoriza todo mistério da lendária sereia. “ela vinha, do fundo do mar/ vinha de longe cansada, talvez maltrada/ não podia falar… Ah! Se eu pudesse, um dia desencantar/ e dessa vez eu amaria/ uma linda sereia que num sonho eu vir nadar”. Que letra bonita!

Soube também através do locutor Daniel Filho, que Elias Rodrigues mora na cidade de Santos-SP com quem teve contato telefônico recentemente. Já o jornalista Luciano Oliveira disse ter ouvido a musica “A sereia”, cantada por uma banda no estado do Maranhão, e esta era interpretada com excelente qualidade. Tenho saudades do amigo e conterrâneo Elias Rodrigues.

Se você não conhece a canção “A Sereia” tem a oportunidade de conhecer. Quem já conhece, tem a oportunidade de ouvir mais uma vez.

Paulo César de Brito
Cronista Areia-branquense