Crônica: Iara Lins

Esta crônica é dedicada a Iara Lins (Foto: Cedida/Arquivo Pessoal)

Domingo é dia de mexer nos meus guardados. Já disse mais de uma vez,  catar o que não tenha mais serventia, para esvaziar gavetas. Papéis e mais papéis. E não é que  vez ou outra dou com os olhos num guardado que era, para mim, como se não fosse mais tanto tempo. Foi assim com uma fotografia de Iara Bernardo Lins, nome dado na pia batismal por seus pais Chico e Fantiquinha, moradores da comunidade da Redonda.

Conheci Iara na sua mais pura adolescência, ali pelo ano de 1992, a mesma morava com uma tia de nome “Nicinha” na rua Desembargador Filgueira, próximo a Escola Municipal Vingt Rosado Maia. Mas foi na calçada de uma residência em frente à casa de meus pais que eu a vi pela primeira vez a conversar com outros adolescentes que sorriam com assunto ora ali conversado. Aquele bate-papo me traz boas recordações.

Pois bem, foi meu irmão Deassis que me apresentou a Iara. Ele, meu mano, foi o mentor de toda a história. Sei bem que fomos apresentados. Iara ali com seus 14 anos bem vividos, a mesma esbanjava simpatia. Após a apresentação tivemos nosso momento para nos conhecer através de uma saudável conversa. Pois bem, ficamos à vontade e em pouco tempo já nos tornamos amigos. Ainda naquela memorável noite, Iara se despede dos demais adolescentes e comunica aos mesmo que vai se recolher para dormir pois no dia seguinte a mesma teria aula e teria que acorda cedo.

Meu irmão Deassis, muito astuto, percebendo que a mesma seguiria só para sua residência, falou para mim: “pergunte a ela, se você pode acompanhá-la até sua casa” Eu muito obediente que era, fiz a pergunta e logo recebi o sim, que podia. Confesso que amei a resposta.

Iara ladeada pelas filhas Vitória (à esq.) e Virna Lins (à dir.)

E lá fomos nós, caminhando e conversando. Já se passavam das 21hs. Os passos eram lentos, pois o nosso trajeto não passaria mais que 200 metros, a casa dele ficava na rua seguinte. Pois bem, ao dobrar a esquina entre as ruas Duque de Caxias e Antônio Quixabeira, criei coragem a segurei em sua delicada mão, macia e cheirosa. Paramos e ficamos a nos admirar com um olhar fixo um ao outro, e em segundos a abracei e logo como um bom cavaleiro que eu era, cheirei seu pescoço e pude sentir a fragrância do seu suave perfume naquele momento.

Foi em um determinado tempo entre o pegar das mãos e cheiros, que juntos resolvemos selar nosso encontro com o primeiro beijo daquela noite. Tomei a iniciativa de pedir a mesma um beijo, e em seguida em namoro. A resposta? Ah, a resposta foi um sim bem dado. Dali em diante foi só alegria. Muitos beijos, abraços e sorrisos escancarados em nossos rostos que nem se ligamos na hora. Já passavam das 23hs quando fiquei de prontidão na esquina e ela caminhou para sua casa, me saudando através de olhares, beijinhos e acenos de mãos. Momentos que talvez hoje para muitos adolescentes não exista mais.

No dia seguinte, sendo eu sabedor que a mesma estudava na Escola Estadual Conselheiro Brito Guerra no horário da 7 às 11hs, tive que ir ao seu encontro no horário do intervalo. Ali seguíamos para a Praça da Conceição onde sentávamos em um dos bancos e conversamos às pressas entre uma palavra e outra um beijo, pois a mesma tinha somente 20 minutos para retornar à sala de aula. Um caso raro e ao mesmo tempo interessante é que todo tempo que nos encontramos nessa praça eu levava para ela cartas escritas com pequenas poesias e desenho referente ao meu gostar por ela. Se ela gostava? Pelo olhar e o sorriso dela eu acreditava que sim. Eram sentimentos verdadeiros.

Namoramos ali entre 1 ou 2 meses, creio que não passou desse tempo. Iara teve que retornar a sua querida Comunidade da Redonda, pois seu período letivo tinha finalizado por essas bandas. Como não existia a tecnologia de hoje com tantas opções tipo WatsApp, facebook, Msn e outros, não éramos de nos comunicarmos. Se queria saber algo sobre ela, teria que perguntar a alguém que a conhecia. Soube meses depois que ela estava com um novo namorado. Por um certo período senti a sua falta. Senti saudades das nossas conversas. Sempre que a passeio passava ali na Redonda perguntava pelo destino de Iara. Quase que não se tinha notícias dela.

Iara Lins hoje é uma grande amiga que tenho (Foto: Cedida/Arquivo Pessoal)

Após 25 anos um dia estava eu de plantão no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, ali no hospital local, percebo que uma jovem me olhava, como quisesse me perguntar algo. Em um determinado momento ela bateu em meu ombro e me perguntou: – “Não está me reconhecendo?” Reconheci-a desde logo. Era Iara, foi minha namorada. Fazia anos que não nos encontrávamos, perdidos um com o outro. Conversamos, um bom tempo. Claro que conversa de gente adulta é sempre uma volta ao passado, mas ainda num reencontro depois de muito tempo. Iara me revelou parte da sua vida quando esteve distante dos nossos olhos.

Ela me falou que depois que voltou para a Redonda no final do ano letivo de 1992. Anos depois conheceu outro jovem com quem namorou e iniciou um relacionamento que não foi aprovado de bom grado pelos pais e familiares, o que lhe trouxe punições severas.

Segundo me contou, ela começou a namorar com esse jovem ainda aos 16 anos. Com o passar do tempo e em razão do inevitável para a idade e para os costumes da época aconteceu, os pais resolveram casá-los em 22 de janeiro de 2000, ela com 22 anos, ali mesmo em Redonda. Matrimonialmente eles estavam realizados. Já casados e sendo sabedora que seria mãe de uma menina, resolveram morar em Joinville, estado de Santa Catarina, onde moraram por quase dois anos. Neste intervalo de tempo com sete meses residindo naquela cidade, a jovem Iara retorna para o Rio Grande do Norte onde teve sua primogênita aos 23 anos, em 17 de fevereiro de 2001, nasce Vitória Lins, parto normal na Maternidade Santa Luzia em Mossoró. Após um mês de vida de sua filha, Iara retorna a Joinville.

Em agosto de 2001, com o termino do projeto da empresa que seu esposo trabalhava, Iara e família retornam a Redonda. Meses se passaram, então o casal percebeu que a família cresceria em números, a jovem mãe ficou gravida de mais uma menina. Para a felicidade dos pais em 04 de outubro de 2002, nasce Virna Lins. Desta vez Iara resolveu morar no centro de Areia Branca, por questão da vida profissional do seu esposo. A vida conjugal não foi favorável a jovem que logo se separou aos 26 anos, com suas filhas ainda crianças.

Vendo a necessidade de estar próximo a família resolve  cuidar da sua vó-mãe D. Francisca Morais do Vale, popularmente conhecida na Redonda por “Mainha”. Já idosa e com sérios problemas saúde, mainha deixa esse plano terrestre e vem a óbito aos 103 anos por insuficiência respiratória. Após a partida da sua vó-mãe, Iara permanece com moradia fixa na comunidade da Redonda, ao lado das suas belíssimas filhas Vitoria e Virna.

Quantas voltas essa jovem teve que dá para enfrentar a árdua vida que leva. Seria consequências do destino ou teimosia? Não sei, só sei que foi assim e pronto! Para a minha alegria, Iara me confidenciou que eu fui o seu primeiro namorado. Confesso fiquei feliz.

Iara, Vitoria e Virna, onde estiveres e como estiveres, lembrem-se sempre que aqui tens um grande amigo que torce a todo momento pela felicidade de vocês. Que estejamos sempre unidos em oração, pois juntos somos mais fortes. Obrigado, Iara por me aceitar em seu ciclo de amizade.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Crônica: Breve relato de amizade com Chica Fernandes

Digo sempre através dos meus escritos que Deus sempre colocou e ainda continua a colocar anjos em nossa companhia. Seja através de familiares, amigos, conhecidos. O importante é que coloca.

Hoje amanheci com saudade de uma pessoa que fez e continuará a fazer parte da minha vida. Quero aqui com todo carinho falar da pessoa de Francisca das Chagas da Silva, na pia batismal. Para nós seus familiares e dos amigos próximos carinhosamente a chamávamos de “Chica”.

Meus primeiros contatos com ela aconteceu no início do ano de 1993, quando iniciei amizade com uma de suas irmãs, Regi Clesia Fernandes. A mesma morava com sua avó paterna ali no bairro Cohab. Chica ainda em sua adolescência era de estatura mediana, pele branca e cabelos loiros cacheados, por sinal belíssimos e bem tratados. Uma garota ao seu tempo dócil, carinhosa, irreverente e algumas vezes chata.

Minha amiga Chica irradiava os ambientes com sua presença marcante (Foto: Arquivo Pessoal)
Minha amiga Chica irradiava os ambientes com sua presença marcante (Foto: Arquivo Pessoal)

Percebia que a mesma não me suportava. Mas, com um tempo, digo, questão de dias tornou-se uma das melhores amigas. Nossos encontros de início aconteciam ali na primeira praça do bairro da Cohab quando existia, onde hoje é a Fundação de Apoio ao Idoso Rita Fernandes. Naquele local conversamos um pouco de tudo em especial sobre os prazeres e os males que trazem a fase da adolescência. Um dos assuntos preferidos da Chica era namoro na referida fase.

E nesse vai e vem de assuntos de namoricos, no ano de 1995, precisamente no dia 12 de abril, eu e Chica resolvemos “ficar”. Ou seria namorar? Eu fiquei um pouco temeroso, confesso. Não que eu não gostasse da garota, mas por causa da nossa diferença de idade. Eu era alguns anos mais velho. Com um tempo aprendi que para o gostar e o amar não há idade fixada. É deixar acontecer naturalmente. Verdade, verdadeira.

Anos se passaram e nós amadurecemos. Com dois anos alternados de namoro, ou seja, o nosso namoro não era aquela coisa fixa de todos os dias nos encontrarmos e batermos papo, beijos e abraços. Isso não. Então um certo dia resolvemos nos relacionarmos como um casal. Se passaram alguns meses de romance então fui comunicado por ela sobre alguns sintomas de gravidêz como enjôos e atraso nas regras femininas. Em fevereiro de 1999 nascia o fruto do nosso relacionamento que batizamos de João Paulo. Um belo menino.

Porém não parou por aí. No ano seguinte, mais precisamente em outubro nascia Victória Brito nossa caçula, a quem chamo até hoje de menina. Nunca fizemos morada juntos, porém criamos nossos filhos suprindo as necessidades básicas do cotidiano dando-lhes carinho, amor e educação. Essa criação permanece até os dias de hoje.

Chica cresceu sempre mantendo viva a fé em seu coração. Foi batizada e recebeu o sacramento do batismo e sua primeira eucaristia na Igreja Católica. Em 18 de dezembro de 2011, ela decide dizer sim ao ministério do Senhor, sendo batizada nas águas e tornando-se membro da Igreja Internacional da Graça de Deus em Areia Branca. Daquele momento em diante, passou a seguir os ensinamentos das sagradas escrituras.

Em outro registro pessoal, Chica posando para foto ao lado dos filhos João Paulo e Victoria Brito (Foto: Arquivo Pessoal)
Em outro registro pessoal, Chica posando para foto ao lado dos filhos João Paulo e Victoria Brito (Foto: Arquivo Pessoal)

Chica em sua vida cresceu sentindo a necessidade da presença do Deus vivo em sua vida, mesmo sendo batizada e recebendo alguns dos sacramentos do batismo e da sua primeira eucaristia na Igreja Católica. No dia 18 de dezembro de 2011, a mesma decide oficializar seu “Sim” ao ministério do Senhor, sendo batizada nas águas, sendo membro da Igreja Internacional da Graça de Deus em Areia Branca. Daquele momento em diante passou a servir ao seu próximo como manda as sagradas escrituras, conforme dito em Marcos 16.15 “Ide por todo mundo e pregai a toda criatura”. E foi, o que ela e outros como, as Irmãs Nadine Ribeira, Regi Clesia Fernandes, Rejane Cortez, Cleide Lemos e Fátima Duarte. Além, é claro, dos irmãos Aldemar Júnior, Júnior Barros, Naldo, Francinaldo e outros que não me vem na memória. Ah, o nome do grupo? Chamava-se “Pão e Vida”. Grupo que além do alimento da palavra do Senhor, também alimentava os mais necessitados com sopa e refeições solidárias. Uma benção como diria os demais irmãos em Cristo.

Antes no ano de 2010, sua saudosa genitora Francinete Fernandes foi diagnosticada com câncer no útero. Uma Via Crucis para a jovem Chica. Como a mesma morava com sua mãe, também se responsabilizou de acompanhar sua querida mãe em suas consultas na Liga de Câncer Norte-rio-grandense na capital. Antes era acolhida no Albergue Noturno de Natal e na casa de Apoio aos Areia-branquenses naquela cidade, onde todos os colaboradores daquela unidade se tornaram próximos de Chica e Francinete, recebendo o respeito de todos.

Diante de todas as consultas e tratamento o câncer venceu no dia 20 de julho de 2014, o corpo de Francinete, pois a alma da mesma já era propriedade Jesus. Foi para a morada eterna, onde não haverá dor e nem choro.

Com a partida da sua genitora Chica ficou um período quase que depressiva. Pensava em sua mãe diariamente em busca de respostas para as suas indagações tipo, o que fazer? Como caminhar? Que direção tomar? No mesmo ano a mesma sentiu em seu coração o desejo de caminhar em novos horizontes, desta vez em um novo relacionamento amoroso. Encontrou em questão de meses a tal vivência. A mesma já se organizava para um possível matrimônio. Feliz da vida preparava tudo com carinho. Fico a pensar cá com meus botões, será que a amiga Chica orou o suficiente a Deus por esse novo amor? Seria do agrado de Deus essa união? Estaria esse relacionamento nos planos de Deus? Isso não sei. Infelizmente não deu tempo para os seus projetos aqui na terra. Deus precisava dela para outros afazeres no lar celestial.

Ladeada pelas irmãs Regi Clecia e Emanoela Fernandes, Chica era sempre sorridente (Foto: Arquivo Pessoal)
Ladeada pelas irmãs Regi Clecia e Emanoela Fernandes, Chica era sempre sorridente (Foto: Arquivo Pessoal)

A súbita partida de Chica aconteceria no dia 04 de maio 2015, quando a mesma sentiu-se mal em casa e foi internada no Hospital Santa Catarina zona norte de Natal, onde precisou fazer transfusão de sangue. Na quarta-feira, dia 06, a mesma voltava a sentir-se mal, desta vez levada ao Hemocentro para uma avaliação e exames de praxe naquela unidade. Havia uma suspeita que a mesma tivesse acometida de uma doença chamada Púrpura. A mesma recebeu liberação médica para repousar em casa. Foi para a casa da sua irmão Emanoela, na praia de Cajueiro, município de Touros-RN. Já na casa de sua irmã, a mesma teve uma parada cardiorrespiratória, precisando ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, que fez a remoção para o Hospital de Touros.

Naquela mesma noite foi transferida às pressas para o Hospital Regional Walfredo Gurgel, em Natal, onde diante da gravidade foi entubada. Os familiares receberam as notícias advindas do Hemocentro que Chica deveria retornar com urgência para realizar o exame da lâmina, pois tratava-se de problema grave. Os familiares informaram que a mesma já estava internada em estado grave no Walfredo Gurgel, onde já tinha sofrido quatro paradas cardiorespitatórias.

Após dois dias internada e ainda entubada sem responder a qualquer reanimação naquela unidade hospitalar as 13:10hs, a Leucemia Mieloide Aguda vencia em definitivo a nossa amada guerreira Chica, que parecia imbatível.

Dela quero somente lembrar dos bons momentos que vive com aquela pessoa que soube acima de tudo ser uma amiga, companheira, conselheira, mãe, filha e irmã.

Ela me deixou um casal de filhos, além é claro de uma experiência e exemplos que levarei comigo durante o meu tempo de vida, em especial o que vivenciei na presença dessa grande figura humana. Dela tenho saudades.

Chica, saiba que deixastes saudades nos teus verdadeiros familiares que até hoje continuam a te amar. Dos poucos amigos que conquistastes em teu ciclo de amizades, permanecerá acessa a tua angelical imagem em nossas mentes e tua infinita presença em nossos humildes corações. Eu fui privilegiado por fazer parte dessa amizade. Fomos bons amigos, digo com convicção.

Não posso falar por irmãos, filhos, amigo, mas tenho certeza que minha fala os representam pela pessoa carismática e bondosa que você era.

Que seu exemplo de humildade seja e nosso conforto e apoio para fortalecer a nossa fé.

Tenho a plena certeza que a nossa eterna Chica hoje dorme na presença do Senhor Jesus, onde um dia nos veremos no paraíso. Pois é promessa do Senhor quando Ele nos diz no evangelho de São João 14. 1-3 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.

Paulo César de Brito
Cronista Areia-branquense

Crônica: O Samu e o serviço à comunidade

Equipe do Samu RN em Areia Branca (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)
Equipe do Samu RN em Areia Branca (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Eu ainda não tinha pensado nisso, mas Deus já tinha firmado meu destino em trabalhar na área da saúde ajudando a salvar vidas. Em 1996 fui selecionado entre 26 candidatos a para ser um agente comunitário de saúde em nosso município. Foram feitos os cadastros dos candidatos e na sequência duas entrevistas, sendo uma individual e outra coletiva.

Entre os requisitos para ser um agente de saúde estavam a residência fixa na cidade, conhecer a geografia da localidade e histórico de serviços comunitários. Então, fui aprovado.

Éramos 26 agentes, dos quais 16 foram direcionados para a zona urbana e outros 10 para a zona rural. Fomos treinados pelo então coordenador da Secretaria de Saúde do Município, o saudoso médico José Reis Rebouças.

No ano seguinte tive que seguir viagem para Salvador da Bahia, onde na oportunidade passei 90 dias realizando um curso, o que fez com que eu deixasse de exercer a função de agente comunitário e consequentemente de realizar visitas domiciliares, sendo então substituído pelo amigo Izaias Oliveira que tão bem desempenhou as tarefas.

Equipe trabalha pela excelência no atendimento de ocorrência pré-hospitalares (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)
Equipe trabalha pela excelência no atendimento de ocorrência pré-hospitalares (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Ao retornar de viagem, me apresentei à coordenação que me informou a lamentável notícia de que eu não mais fazia parte do Programa de Agentes Comunitários de Saúde.

Um grupo de pessoas me orientava para que eu procurasse a justiça, mas consultei minha consciência pois sabia que não havia nada escrito que me autorizasse a fazer a viagem, embora tivesse comunicado com antecedência. Tudo foi feito de forma verbal com pessoas idôneas. Confiei na palavra. Não fiz o que aquelas pessoas me pediram. Simplesmente calei-me e aceitei a decisão. Anos mais tarde vi resultados do que fizeram comigo. A verdade existe.

Anos se passaram e em 2012 tomei conhecimento de que seria implantado na cidade o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU. Até ai não conhecia esse trabalho e tive que ver o serviço funcionando em Natal. Fui indicado por uma pessoa influente na política local para participar dos treinamentos e da seleção que escolheria os 13 profissionais que integrariam a equipe do SAMU em Areia Branca.

O fato de ser indicado não garantia a certeza de que faríamos parte do quadro do SAMU. Foi necessário a realização de uma série de treinamentos, provas teóricas e práticas nas quais os melhores e mais preparados foram indicados ao trabalho.

No período de 28 de outubro a 1º de novembro daquele mesmo ano, nas dependências do IFRN em Mossoró passamos por capacitações com provas, entre os quais estavam a enfermeira Amanda Karla, os motorista, Paulo Sergio, Francisco Nascimento, Francisco Mendonça, Rivonaldo Lima, Cristiano Costa e este que vos escreve. Também participaram os técnicos de enfermagem Luiz Alves, Elioene Costa, Vera Gadelha, Gerlane Alfaya, Lenilson Luz e Vênus Souza. Dessa turma foram aprovados 11.

Concluída a primeira fase, a equipe foi enviada para a capital do estado, onde passaram por treinamento as técnicas em enfermagem Sandezia Costa, Angélica Lima e Ângela. Das três ficaram Angélica e Sandezia.

Com a equipe formada sob o comando da competente enfermeira Amanda Karla, a nossa base descentralização foi inaugurada no dia 26 de dezembro de 2012. Porém começamos a atuar somente no dia 10 de fevereiro de 2013. Quero aqui registrar que o pedido de instalação do SAMU e a inauguração da base foram realizados na administração do ex-prefeito Souza Neto e do vice Bruno Filho. Já o funcionamento e atuação da unidade no governo da prefeita Luana Bruno e sua vice-prefeita Lidiane Garcia.

A nossa primeira ocorrência se deu no dia 12 de fevereiro as 14h20m, quando a central de regulação nos autorizou a prestar socorro a senhora Lourdes Rolim que sofreu uma queda da própria altura na Praia de Upanema do Farol. A equipe era composta pelos condutores Francisco Nascimento, Paulo César e a técnica Gerlane Alfaya na viatura USB 26.

Alguns meses se passaram e a equipe precisou ser alterada com a saída de do técnico Luiz Alves que já tinha outros planos profissionais. A partir dessa baixa no quadro, foram enviados para treinamento em Macaíba, os técnicos Francisco Barbosa, o popular Zé Maria, Kiko do Vale e Jonatas Gomes, este último obteve a melhor nota e integra o grupo.

Nesse período de quase três anos de Samu em Areia Branca, já realizamos vários treinamentos como Suporte Básico de Vida – SBV, PCR e trauma, afogamento, queimaduras, passando o QTC, Constatação de Óbito, Ked e retirada rápida em prancha, treinamento em atendimento e remoção de pacientes com suspeita de contaminação pelo vírus ebola e por ultimo urgência e emergência realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Alemão Osvaldo Cruz – HAOC e SAMU 192/RN. Nossa formatura aconteceu no dia 19 de dezembro de 2014 no Hotel Praia Mar, em Natal.

Neste espaço quero agradecer em especial à equipe do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu 192-RN pela paciência em nos ensinar em cada aula. Ressalto ainda a participação de Uzimar Vale, Claúdio, Rodrigo Dantas, Micheline Rodrigues, Isabel Karolyne, Eugenio Lopes, Edinart Cuenca, Richard Allan, Solange Moreira, Raimundo e Walquiria Nóbrega. Obrigado de verdade a cada um de vocês. Sem esse leque de mestres o Samu 192 no RN não existiria.

Dedico este escrito à nossa coordenadora e orientadora, acima de tudo parceira, amiga e conselheira, a enfermeira Amanda Karla que sempre acreditou, apoiou e incentivou sua equipe na superação de cada obstáculo.

Não poderíamos jamais esquecer de agradecer ao nosso senhor Jesus Cristo por nossa existência e sua maestria em permitir que sejamos bons profissionais do Samu.

Para muitos esse macacão representa superioridade, invencibilidade, seletividade ou qualquer outro adjetivo que os coloquem acima da razão ou emoções. Pra mim, é um instrumento de trabalho e equipamento de proteção individual. É meu uniforme e identidade. Sou ciente que esta é uma organização que tem mudado a situação da saúde no nosso país por sua organização e sua rede de assistência.

É por isso que nossa equipe chama-se superação. Muito obrigado a todos. Viva SAMU 192/RN.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Friolar

Crônica: O bajulador

(Imagem: Reprodução/Internet)
(Imagem: Reprodução/Internet)

Hoje recebi a visita de um conterrâneo que não o avistava há alguns anos. Fiquei feliz por saber que um conterrâneo quando migra para outras terras, e quando vem em visita aos seus pagos em sua terra natal, tratam logo de procurar seus colegas e amigos que ainda resistem por aqui. Conversa vai, conversa vêm, lembranças dos tempos de crianças e adolescência, de repente a criatura começou a falar, ou melhor, a bajular a imagem de um político influente em nossa cidade. Não suportei e me causou náusea.

Essa cena logo me fez lembrar-se do conterrâneo amigo e compadre Alberto José, ou simplesmente Albertinho de Socorro Buchudinho para os amigos, hoje morador na capital Fortaleza, que dizia ser o bajulador o único tipo humano que não se pode classificar, porque se trata de um desclassificado num grau além, muito além do que pode alcançar o poder da palavra , quando muito, e é muito pouco, um ser sem caráter nenhum. E dizia mais: é fácil identificar o pior tipo de bajulador, ou antes, o mais perigoso. É o que baixa e murcha o rabo, feito assim cachorro enxotado, para atender, num passo ligeiro, ao chamamento do chefe bajulado.

Sim, o bajulador é um ser sem caráter nenhum. Não nego. Apenas lhe reconheço, e por dever de justiça, a teatralidade como inclinação, muito embora pelo avesso, para a arte de representar. Bom, digo pelo avesso, considerando que a bajulação, sobre anular o homem como personalidade, confronta com as vias repugnantes da traição – é só pintar à hora do Judas. O próprio Jesus Cristo disse para um bajulador, “vade retro satanás”, ou seja, “afaste-se de mim satanás”.

É no trabalho onde mais se pode encontrar desse tipinho… Já trabalhei com várias pessoas possuidoras desse dom. Tenho a plena certeza que em sua área de trabalho esta empestado. É um verdadeiro serpentário.

É fácil identificar um grande bajulador em uma empresa. Vamos aos detalhes. O indecente concorda com tudo que o patrão diz, mesmo que seja contra suas crenças, sempre ri quando o patrão sorri ou conta uma piada, se oferece para fazer algo além da sua função e ele sabe que não receberá nada por isso, ou seja, é um boneco nas mãos do patrão, a quem pensa estar agradando quando na verdade muitas vezes o faz para manter o emprego, ser promovido ou aumentar o salário.

Se o chefe for um chato, mas mesmo assim o cara continua dizendo que ele é maravilhoso ou o salário dele é maravilhoso. O que na verdade o bajulador não deseja é deixar de estar na presença do amado chefe.

Nas minhas pesquisas cheguei a descobrir dois tipos de bajulador: o declarado e o astuto. Acredito eu que devemos tomar mais cuidado com o segundo tipo. Afinal o primeiro evidentemente, dispensa muitos cuidados. Já o astucioso, o segundo tipo de bajulador repousa no fato de ter as aparências de um amigo.

O bajulador astuto é uma espécie de imitador barato. Alguém que não possui nenhuma opinião, mas que segue apenas as daquele de quem deseja obter algum benefício.

Dessa forma, a primeira maneira pela qual se pode conhecer um bajulador é simular uma mudança de opinião. Diante de tal ato, ele, invariavelmente, muda também a posição, demonstrando, com extrema clareza, o quanto suas opiniões são volúveis e interesseiras.

Encurtando, um bajulador jamais será franco com alguém, salvo se isso não desagradar à pessoa a quem deseja bajular. O Amigo Alberto José tem toda razão. Obrigado amigo por me abrir os olhos.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Crônica: As bodegas do passado

Foto ilustrativa que demonstra o cenário típico das bodegas do passado em Areia Branca.
Foto ilustrativa que demonstra o cenário típico das bodegas do passado em Areia Branca.

Não sei se é assim com todo mundo. Depois que cresci tive a sensação de que encurtaram aquelas distâncias do tempo da infância que, aos meus olhos de menino, pareciam tão longas. Coisas e pessoas de minha época de criança que procuro nos quatros cantos de minha Areia Branca e não mais vejo. Nesse contexto tenho como  exemplo as bodegas de antigamente.

Será que é culpa da evolução do tempo, ou culpa dos seus proprietários que não souberam manter a tradição no seu ambiente de trabalho? Coisas dessa natureza.

Hoje amanheci com uma baita saudade das bodegas do passado e do melhor das bodegas da minha infância, onde muitas das vezes minha mãe me mandava fazer as comprar e eu admirava os bodegueiros quando faziam os embrulhos de produtos como açúcar, café, farinha. Aquele embrulhado era como se estivessem costurando alguma coisa. Na minha cabeça aquilo tinha um formato de pastel ou então de meia lua. Coisas da imaginação de uma criança.

Você ai do outro lado deve estar pensando… lá vem ele escavacar pessoas e costumes do passado. Ora, pois, se isso me faz bem, fazer o que? Trago na lembrança as bodegas de Chico Joaquim, João Rebouças, Pedoca, Wilson Rebouças, Raimundo Manoel, Raimundo de Branca, Zé Pereira, Francisco Rebouças, João Augusto, Seu Toinho, Raimundo dos Bodes, Dedé de Otávio, Chico Gomes, como também as bodegas de Seu Virgílio, Cícera e Geralda, Cícero e Adalgisa, Zeca Cândido, Vicente Alcântara, Manoel Ceguinho e Valdemar da hora.

Antonio de Celina em sua bodega em Pedrinhas: exemplo de resistência e tradição (Foto: Carlos Júnior/Voz de Areia Branca)
Antonio de Celina em sua bodega em Pedrinhas: exemplo de resistência e tradição (Foto: Carlos Júnior/Voz de Areia Branca)

Por várias vezes ouvi falar e frequentei também as bodegas de Valdemar Pimbinha, Sebastião do Rojão, Bem-te-vi, Gilvan e Chicão, Zé Martins, Osmar Coelho, Augustinho pai de Augusto da borracharia, Damião Coringa, Aureliano Rebouças, Meu Chico, Bebeta de Evilázio e Ceará, Chico Pedro, Marcelino, Jaquetânio, Zé mendes, Paulinho de Chaguinha da Padaria, Seu Afonso pai de Máximo Rebouças, Zé Aires, Raimundo Simão, Manoel de Souza, Robério, Luiz Tozinho, Arminho, Chico Chaga, João Barbudo, Raimundo Cabral, Luzimar Maia e Seu Chico Rebouças.

Quem é que lembra das bodegas de Zé de Bando, Mundoquinha, Edgar pai de Viviço, Chico da Redonda, Manezinho do Mel, Baquinha pai de Gonzaga do Mel, Rogério de Miguel de Panta e Jorge da Hora e Antonio de Celina lá em Pedrinhas?

Até aqui são esses que vieram em minha lembrança. Tenho certeza que existem tantos outros que aqui eu não citei por falha da memória.

Só sei que é verídico que estes grandes comerciantes prestaram grandes serviços às comunidades nas quais estavam inseridos. Em cada bairro havia pelo menos uma ou duas, em cada conglomerado de ruas, tinha uma bodega de esquina.

Em tempos difíceis que nosso povo viveu, era comum ir aos estabelecimentos dos nossos bons e velhos bodegueiros comprar meia lata de óleo, uma fileira de bolacha cream crack ou mesmo a metade de uma barra de sabão. Ainda sinto o cheiro daquelas bodegas por onde andei e dos costumes do nosso povo de antigamente.

Algumas ainda resistem e conseguiram chegar ao presente. É verdade que em número menor, mas em uma volta pela cidade conseguimos identificar alguns bodegueiros.

O ditado afirma que quem vive de passado é museu, mas eu prefiro regressar ao passado vez ou outra e trazer aquelas coisas para o presente nos meus textos para tentar mostrar e comparar as coisas de antigamente.

Diante dessa viagem que faço, chego à certeza de que éramos felizes e sabíamos. Sinto falta das bodegas do passado.

Para que viver de um presente que não tem brio para nos repassar a não ser a guerra cotidiana em todas as suas formas como os preconceitos que geram intrigas, a ganância e a inveja.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Crônica: A Volta da Infância

Procissão marítima ocorrem sempre no dia 15 de agosto pelas águas do rio Ivipanim (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)
Procissão marítima ocorrem sempre no dia 15 de agosto pelas águas do rio Ivipanim (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Agente sempre está recordando alguma coisa. A infância volta ao coração sem esquecer nada. Ou quase. E nos damos conta da beleza da infância. Dos seus sentimentos diante do mundo. As pessoas que nos rodeavam pareciam eternas. O próprio medo que fazia a gente se agasalhar no colo da mãe nos vem à lembrança cheia de poesia.

Por que será que a infância volta ao coração no entardecer da vida? Não, não será vontade do recomeço. Também não sei dizer o que seja. Medo do fim? Mais também pode ser porque, ao longo dos anos, o mesmo coração se torna diáfano a historia da vida, sejamos historiadores no sentido vulgar, ou não. Seja o que for o fato é que a infância nos volta à alma, no entardecer.

Outro dia estava a conversar com minhas lindas e amáveis filhas, digo, Aline, Cecillia, Victoria e Alyssandra, onde elas me perguntavam sobre minha infância. E eu lhes falava feliz da vida sobre minha meninice e costumes do meu povo. Lembranças vivas. Parece que estou vendo a festa de agosto, festejos alusivos a Virgem dos Navegantes, na minha terra. Momento de unir as famílias, mesmo àqueles que moravam a distancia em outras cidades do estado. O momento era de encontro e de felicidade. A festa era muito simples, da religiosa a social.

Devotos acompanharam procissão marítima e terrestre e assistiram missa campal no Centro Juvenil. (Foto: Gilson de Souza)
Devotos acompanharam procissão marítima e terrestre e assistiram missa campal no Centro Juvenil. (Foto: Gilson de Souza)

Na parte religiosa havia novenas, orações, confissões e comunhão. Tendo seu ponto principal as procissões marítima e terrestre. Na procissão marítima era obrigatório as empresas marítimas de nossa cidade cederem suas embarcações para trafegarem com os fiéis e peregrinos na procissão. As embarcações, iates, lanchas, baiteiras e canoas eram todas embandeiradas. A lancha São Salvador conduzia a imagem da santa.

Quando a procissão marítima chegava a seu destino final e os fiéis desembarcavam no cais, dali já se iniciava a procissão terrestre. A multidão tomava conta das ruas da cidade. O único carro de som existente na procissão era o carro de som da empresa Café Kimimo. Era uma mercedinha vermelha, com dezoito bocas de ferro. Sendo dozes nas laterais e seis na parte dianteira e traseira. Muitas das vezes eu ia dentro desse veiculo. Além da incalculável multidão, a procissão terrestre era seguida por veículos, na qual os proprietários transportavam seus familiares.

Já na parte social as festa com bandas tradicionais aconteciam nos dia 13,14 e 15 de agosto. As bandas que animavam a parte social da festa, a maioria era advindas da cidade pernambucana do Recife. Eram, Alcano, Scorpions e Trepidant´s. Os clubes eram o Ivinanim, Credorn e a quadra da Escola Técnica de Comercio. Hoje a festa de agosto perdeu muito da sua essência. Na parte religiosa pouquíssima participação. Na parte social a festa de agosto transformou-se em superprodução. Onde as bandas, cantores e produtores saem com os bolsos cheios de dinheiro. Digo isso com os artistas forasteiros. Por que os dar terra mesmo, fazem à coisa perfeita acontecer. Mais quando chega à parte financeira é uma pequeníssima quantia. Bem não cabe a mim aqui dizer o que é certo ou errado, do antes e do depois. Era assim a festa de agosto. A infância volta ao coração, no entardecer.

Paulo César de Brito
cronista areia-branquense

 

Areia Branca, 03 de agosto de 2011

Crônica: O velho amigo Miranda

Antonio Miranda e o ex-presidente da Fundac Ramon Rodney, em uma visita àquele órgão da cultura local. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Antonio Miranda e o ex-presidente da Fundac Ramon Rodney, em uma visita àquele órgão da cultura local. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Graças à nova tecnologia e ao avanço da informática quando o amigo Gleydson Guimarães, éramos funcionários da Câmara Municipal durante a gestão do vereador Dijalma Da Silva Souza, foi quando criei meu primeiro MSN e meu perfil no Orkut. A partir de então passaria a interagir com amigos de perto e de longe. Confesso que adorei a ideia, mesmo sendo leigo no assunto – e ainda sou até hoje – em meados dos anos de 2004.

E entre vários acessos para adicionar amigos dali, outros colegas daqui, surge um convite de um senhor que dizia ser meu conterrâneo. Um detalhe me chamou atenção nas suas páginas: um vasto acervo de fotos antigas e atuais de Areia Branca.

Este amigo virtual chama-se Antonio Miranda, conhecido por F. Miranda e graças às redes sociais, nossos contados passaram a acontecer com mais frequência.

Dia desses fui convocado pela Fundação Areia Branca de Cultura para participar de um programa do Poder Judiciário em nível de estado onde desenvolveria uma série de atividades burocráticas para a emissão de documentos pessoais. Quando já estava cansado daquela atividade, resolvi dar uma pequena pausa e comecei a me movimentar pelo corredor onde estavam montados inúmeros estandes. Foi neste momento em que cruzei com um senhor que fixou seu olhar em mim, bateu no ombro e perguntou-me se eu seria Paulo César de Brito. Quando confirmei minha identidade, aquele senhor disse que era um prazer me conhecer e tratou de apresentar-se pessoalmente afirmando ser o Miranda.

Em outro momento, encontrei o amigo Miranda e sua irmã. (Foto: Arquivo Pessoal)
Em outro momento, encontrei o amigo Miranda e sua irmã. (Foto: Arquivo Pessoal)

O momento me trouxe alegria em poder conhecer e encontrar este conterrâneo tão ilustre. Logo começamos a conversar sobre nosso povo e nossas tradições. Miranda disse ainda que goza de amizade antiga com meu velho pai.

Não passou muito tempo e surgiu no meio, a figura do meu pai. Foi aí que a felicidade tomou conta da conversa e deu outro rumo, pois a dupla aproveitava os minutos de conversa para resgatar épocas de ouro na qual haviam as peladas no campo da saudade e dos craques que esta terra já teve. Outro detalhe que não sabia é que Miranda e Vicente Brito são compadres.

Sempre vejo em seu facebook, atualizações com fotos recentes e antigas da amada Areia Branca. Miranda é um eterno apaixonado por nossa querida cidade e mesmo distante da salinésia, carrega sua gente no coração com carinho e respeito e procura saber como anda essa gente.

Miranda, amigo de meu pai, meu amigo e com certeza amigo dos meus filhos e netos, quero desejar-lhe felicidade e que retorne sempre em sua terra para rever seus pagos quantas vezes for preciso para desfrutar daquele gostoso bate-papo de saudosas lembranças. Avante companheiro Miranda, pois Areia Branca, a “Terra Nostra” ainda precisa de todos nós.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Crônica: Os recreios de minha infância

Este escritor e o ilustre professor Luiz Alves (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)
Este escritor e o ilustre professor Luiz Alves (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Um certo dia quando chegava para mais um dia de trabalho no Samu em Areia Branca, tomava um delicioso café da manhã ao lado dos companheiros de trabalho como a Técnica em Enfermagem Sandézia Costa e o guarda municipal Kinca, surgiu o assunto das brincadeiras de rua e da época de adolescente.

Daquele tempo preservo ótimas amizades que nem mesmo a distância separa, dada a essência criada em meio aos momentos e brincadeiras que vivenciamos.

Kinca lembrou com saudade dos bons tempos de estudos no Grupo Escolar Romão Ferreira do professor Luiz Alves. Ali, era uma verdadeira faculdade de matemática, pois costumávamos dizer que aquele que não apreendesse a matemática e suas quatro operações, não mais aprenderia em lugar algum.

Papel e caneta eram suficientes para uma brincadeira saudável como adedona (Foto: Reprodução)
Papel e caneta eram suficientes para uma brincadeira saudável como adedona (Foto: Reprodução)

A cartilha do ABC era aplicada junto com a Tabuáda de matemática, detalhadas, passo por passo. Qualquer erro, éramos cientes que a palmatoria comia no centro, ou melhor, nas mãos.

Na conversa, lembrei aos demais que ali naquela escola, onde muitos tinham por obrigação o dever de cantar, mas era cantar mesmo, o Hino Nacional, Hino da Bandeira, Hino do Rio Grande do Norte e o da Independência. Outro detalhe é que na sala de aula também cantávamos hinos e cânticos da igreja católica além das cantigas e brincadeiras de roda.

Alguns ainda recordo até os dias de hoje como; “Sabes Senhor, o que temos é tão pouco pra dá, mais este pouco nós queremos com os irmãos compartilhar”, e outro que cantarolávamos em roda; “Quando o vento dava e as folhas caíam/ Caiam no mar oi Siriri comia/ Siriri comia, Siriri gostava, quando o vento dava oi/ e as folhas caiam”.

Objetos de trabalho do professor Luiz Alves estão hoje, expostos no Museu Máximo Rebouças (Foto: Reprodução)
Objetos de trabalho do professor Luiz Alves estão hoje, expostos no Museu Máximo Rebouças (Foto: Reprodução)

Seu Luiz Alves cantava de um jeito bem extrovertido, gesticulando muito para a alegria e aplauso dos alunos que eram muitos. Saudades daquele Grupo Escolar.

Falei com saudades da época que estudei na Escola Técnica Comercial, hoje Escola Municipal Professora Geral da Cruz, dos tempos em que as meninas faziam seus questionários em cadernos pequenos de 48 folhas, entre os quais estavam perguntas como nome, idade, signo, nome do primeiro beijo, primeiro fica, primeiro namorado, etc. O questionário sempre circulava entre os garotos paquerados pelas meninas que faziam as perguntas. A intenção das meninas era conhecer o perfil completo daquele menino que ela estava interessada. Dalí, elas dariam a cartada final para uma possível paquera. Muitas obtinham êxito na brincadeira.

Além dessa, existia também aquela brincadeira de rodar o chinelo, com perguntas e respostas de acordo com a posição em que o chinelo pairava. Policial, Assassino e Vítima funcionava da seguinte forma: o Assassino deveria matar a vítima sem que o policial percebesse. O policial, se não fosse esperto, só descobriria no final da brincadeira, depois de todas as vítimas já mortas na brincadeira, que acontecia em grandes rodas de amigos nos recreios escolares ou em outros locais de encontros da juventude.

perguntas-e-repsotas-1-533x400Para os que estudavam nas escolas próximas as praças da Codern, Praça da Conceição e Praça do Pôr-do-sol, a atração era ir a procura de comer castalholas e cajaranas, aproveitando dos amplos espaços para brincar de tica, ou qualquer outra coisa que reunisse a meninada. Naquela época não tinha essa de destruir o patrimônio público como muitos jovens, lamentavelmente praticam na atualidade.

E tem mais. Quem ousasse aprontar contra algo alheio ou alguém, sofria a famosa pisa de corda, chinelo, ripa ou cinturão, já que sempre havia o famoso enredo. “Fulano enredou ao pai de cicrano que quebrou a lâmpada da praça com uma pedrada, que levou uma baita surra”, eram os boatos que surgiam depois.

Na Escola Técnica Comercial, além de estudar, me diverti com meus amigos (Foto: Reprodução)
Na Escola Técnica Comercial, além de estudar, me diverti com meus amigos (Foto: Reprodução)

Hoje fico triste por não mais existir esses tipos de brincadeiras nos intervalos das aulas nas escolas.
Antes chamávamos de recreio, a pausa de meia hora entre uma aula e outra. Hoje, não mais existe recreio que cedeu lugar ao intervalo, vazio.

Mesmo estando em sala de aula com o mestre partilhando conhecimentos, os alunos de hoje preferem ouvir música, trocar mensagens e acessar ao facebook em pleno horário de aula. Falta de respeito destes para consigo mesmo e para com os nossos professores. Digo isso já que os próprios alunos postaram fotos nas redes sociais comprovando o fato. Triste realidade.

Melhor é ficar aqui com a saudade da felicidade advinda do passado, extraída de coisas simples em que as relações pessoais eram valorizadas. Como pai, a partir das fotos que vi, orientarei meus filhos para que isso não pratique.

Encerro dizendo que tenho saudade das brincadeiras de recreio dos meus tempos de escola, e ponto!

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Crônica: Em busca das minhas brincadeiras

Não sei se é porque hoje sou adulto (para não dizer quase idoso), e adulto não enxerga as coisas com olhos de crianças, mas o fato é que não vejo graça nenhuma nessas brincadeiras de hoje. E ainda tem brincadeira de criança atualmente?

E essas que representam personagens de ficção de fita infantil, então, nem olho. Já sei que a esta altura, o leitor, se for mesmo o caso, já deve estar se perguntando o que tem a ver espinhaço com cangalha, ou coisa assim.

Mas vamos adiante. Quem de nós nunca brincou verdadeiramente de brincadeira de criança. Falo aqui das brincadeiras de rodas, das cantigas  “tengo telengo tengo/pé de carrapicho/pega fulano e joga na lata do lixo”, “Passarás, passarás quem não for há de ficar/quem for passe a diante que não for fica pra trás/trás, trás…”.

E aquela, “Terezinha de Jesus/de uma queda foi ao chão/Acudiram três cavalheiros todos de chapéu na mão” como também “Eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, maré/Eu sou pobre, pobre, pobre de marré gepê” e ainda mais “A canoa virou e tornou a virar, foi por causa de fulana que não soube navegar”.

Toda vez que relembro fico a cantarolar muitas vezes sozinho, aquelas canções que encantavam a meninada.

Imagem ilustrativa mostra crianças brincando de esconde-esconde

Se fosse para estar ao lado da pessoa amada, na qual todos os amigos eram sabedores. Estes por sua vez, davam total apoio referente ao namoro ou “fica”. Quem nunca brincou de cai no poço? Nessa brincadeira o objetivo era dar um passeio, um abraço, um beijo no rosto ou muitas das vezes aqueles gostosos bicudinhos pessoa deseja. Lembro também da brincadeira chamada de BNB, ou seja, beijo na boca, em que os participantes obrigatoriamente tinham que ter a famosa marquinha das três letras em qualquer parte do corpo. Quem não tinha era punido e teria que pagar a pena com um beijo na pessoa em que o colega indicasse para receber o beijo. Era gostoso demais.

Outras brincadeiras de infância eram Rei Maninho, ou popularmente chamada de “remandinho-remandinho”, cobra cega, passa o anel, fura-chão, pinhão, mão no bolso, roda a chinela, bila ou bola gude, pipa ou papagaio, castanha nas barrocas com direito ao castelo.

Sinto falta dos jogos de vispa ou bingo apostando palitos de fósforos ou carteiras de cigarro vazias. Tenho saudades do vira-vira com figurinhas duplicadas. A brincadeira do avião ou amarelinha, como queira chamar.

Os mais afoitos gostavam de brincadeiras mais resistentes onde correr era o exercício desejado. Você já brincou de tunfo, batelão, esconde-esconde, garrafão, Tica, Tica amigo e policia e ladrão? Quem nunca pelo menos uma vez na vida, não brincou de casinha com direito a cozinhadinho e ao famoso papai e mamãe com a intenção de dormirem juntos, onde rolava ali uns beijinhos e tudo mais. Era uma onda viu.

Outro dia Regi Clésia lembrou e comentou comigo que está bem viva em sua memória as cenas de seu pai quando confeccionava vários móveis como  mesas, cadeiras, guarda-roupa, baquinhas e outros tantos com tábuas de madeira para que ela juntos com as irmãs Emanoela e Chica pudesse passar parte de seu tempo brincando dentro de casa. Elas tinham também algumas bonecas confeccionadas de pano. Regi lembra que quando adolescente se juntava a outras amigas e a febre do momento era trocar papel de cartas coloridos. Cada garotinha tinha a sua coleção.

Francisca lembra que a mesma tinha em casa vários tipos de revista para fazer recorde e com estes formar a casa, a mobília e principalmente a família. Com coisas simples elas davam asas à imaginação. Chica recordou ainda de brincadeiras como “Um, dois, três chocolate inglês”, “Jogo de pedras nas calçadas”. Na brincadeira das pedras chegavam a formar círculos com vários jogadores.

Imagem ilustrativa mostra crianças brincando de roda

Girar o bambolê, fazendo malabarismo desde o pescoço até o pé, passando de um braço para o outro. Adoleta em que os participantes batem as mãos velozmente e cantarolam canções.

O nobre leitor deve estar se perguntando o porquê desse assunto. Digo é que hoje, em conversa com meus preciosos filhos fiz comentários sobre as brincadeiras do passado. Eles ficaram curiosos e até entusiasmados para brincar, querendo até brincar.

Perguntei á todos eles sem exceção, qual seria a brincadeira preferida. Alyssandra e Victória foram enfáticas e citaram as suas brincadeiras preferidas. Olha só como elas são evoluídas. Falaram-me que curtem Playstation, vasculham a internet nas redes sociais, digo Orkut, Facebook, msn, Twitter, E-mail e Jogos. Elas também tem o sonho de possuir o tal do “tablet”, iPhone, iPod, mp3 e mp4. Que coisa maluca, mas fazer o que né?

Quanto a mim e a você que curtirmos um dia quando criança e adolescente, aquelas brincadeiras que já não existem nos dias atuais. Diante disso posso afirmar que soubemos ser felizes, pois tivemos uma infância sadia e inocente. Ó quantas recordações boas.

Como este site é um espaço aberto, comente sobre suas brincadeiras e ajude a enriquecer esta singela crônica que retrata as brincadeiras do passado.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Cronica: O Leão da politica areia-branquense

Expedito Leonez em sua primeira administração no ano de 1983 (Foto: Divulgação)
Expedito Leonez em sua primeira administração no ano de 1983 (Foto: Divulgação)

Acredito que o nobre leitor já tenha percebido que em parte das crônicas por mim escrita, sempre procurei destacar pessoas humildes e carismáticas.  Você deve estar se perguntando por que. Ora, para mim tem todo sentido, pois são essas pessoas que me dão verdadeira inspiração para falar dos usos e costumes do nosso povo.

É que hoje minha cidade portuária anoiteceu mais triste, digo no dia 28 de outubro de 2011, quando partiu dessa vida o ex-prefeito Expedito Gomes Leonêz.

Toda a Areia Branca sentiu pela irreparável perda, especialmente seus correligionários partidários que  choraram e lamentaram a partida do seu líder maior.

Deve-se considerar que o icônico Expedito era uma das maiores personalidades da politica areia-branquense. Verdade, verdadeira.

Quem pensa que para Expedito Leonêz chegar ao que chegou foi um mar de rosas. Puro engano. Ele ralou e muito para conquistar cada areia-branquense. Primeiro foi adotado por Areia Branca em meados da década de 1960. Foi salineiro, estivador e comerciante no ramo de mercearia. Nesta última empreitada não foi lá muito bom para ele, pois quebrou rápido de tanto dar as coisas ao povo no lugar de vendê-las. Daí ganhou um título que teve que levar para o além-túmulo. Passou a ser chamado  de pai dos pobres de Areia Branca.

O ex-prefeito nasceu no sítio Arapuá, município de Ipanguaçu (RN), em 10 de janeiro de 1941. Sua trajetória política na década de 1970 teve como pontapé inicial o Sindicato dos Estivadores, que o fez o vereador mais votado de Areia Branca em sua primeira investida na vida púbica.

Leonêz galgou todos os cargos eletivos na esfera municipal. Depois de vereador, foi vice-prefeito de Luiz Duarte Vasconcelos, “Luiz Vovô” no mandato de 1977-1982. Seu primeiro mandato de prefeito exerceu no período de 1983-1988; elegeu o sucessor o médico José Alfredo Rebouças (1988-1992) e retornou ao Executivo pela segunda vez, no período 1993-1996. Depois disso, a oposição liderada pelo então candidato a prefeito, o médico José Bruno Filho (PMDB), quebrou a seqüência de vitórias do grupo comandado pelo “Leão”. Mas ele voltou a assumir a prefeitura pela terceira vez, desta feita em 2004, para o mandato tampão de sete meses, no período de junho a dezembro daquele ano quando Bruno Filho foi afastado por determinação judicial.

O Leão em registro na sua administração no ano de 1992 (Foto: Arquivo/Divulgação)
O Leão em registro na sua administração no ano de 1992 (Foto: Arquivo/Divulgação)

Não lembro o inicio da vida política de Leonêz, mas recordo quando eu tinha na época meus 10 anos idade no ano de 1982 quando ele foi candidato a prefeito na sucessão de Luiz Vovô. O Leão tinha como companheiro de chapa, o Dr. José Alfredo Rebouças, candidatos pelo extinto Partido Democrático Social (PDS).

Seus adversários eram Dr. Ruidemberg Ferreira, o Beguinho pelo PMDB e Rudson Lima de Góis, então filiado ao PSDB.

Uma peculiaridade local era a associação do número do partido e do candidato ao número do jogo do bicho. O 15 era o jacaré, 16 era leão e 17 macaco. Aquela campanha foi bonita e acirrada, mas Expedito mostrava liderança pelo simples fato da humildade e do ser solidário com todos. Isso não quer dizer que os demais candidatos não tivessem essas características, mas que Leonêz liderava e ganhava o eleitor areia-branquense.

Naquele ano, foi eleito prefeito de Areia Branca com a maioria expressiva dos votos, Expedito Gomes Leonêz.

Lembro-me bem das composições das marchas tiradas para os candidatos sendo as de Expedito arranjadas na magnífica voz da cantora Raimunda Costa, que vem ser a nossa Amanda Costa, no meio artístico musical. “Nós somos do PDS/nossa meta é a maior/votando em Expedito e Zé Alfredo pra melhor/Se você vota com ele, eu também voto, eu também voto, eu também voto”.

Essa composição era a mais linda de todas: Nasceu ai uma amizade que deu certo/ de Zé Alfredo e Expedito Leonêz/ a sua meta e ajudar ao povo pobre/ com Expedito vamos votar outra vez/ o seu trabalho pelo povo e competente em sua vida sempre mostrou seu valor/ lembro na vida a amizade de expedito em cada voto vai se transformar em flor/ Vamos gente, vamos chegou nossa vez/ vamos gente com Zé Alfredo e Expedito Leonêz. José Alfredo sempre foi um moço pobre/ com sacrifício estudou e se formou/ agora vai ajudar a Expedito/ a governar Areia Branca com amor/ Vamos gente, vamos chegou nossa vez/ vamos gente com Zé Alfredo e Expedito leonêz”.

Às vezes quando estou só, me vem na lembrança as muitas marchinhas de campanha, como também das minhas idas por diversão aos movimentos políticos de ambos os lados, já que ainda não era eleitor. Era uma diversão na cidade.  Lembro também das campanhas que trabalhei como locutor. Saudades daqueles bons temps de companhias sadias. Como me faz falta!

Bom, voltando ao assunto da vida política de Expedito, ou do Leão, como muitos preferem chamar, devemos considerar que este foi um homem que sempre procurou fazer o melhor para dar o que tinha aos seus munícipes, em especial a Atenção humana.

Em sua primeira administração foi um exemplo de administrador colocando todos os pingos nos ‘is’. Já na segunda não foi nada agradável, por ser “bom” e de coração invejável, tornou-se bom pra os alguns e ruim para ele. Acreditou e confiou os melhores cargos da sua administração a alguns que fizeram da sua administração uma catástrofe. Chegou a atrasar pagamento dos funcionários como também deixou de realizar obras, o que estagnou o município. Fatos lamentáveis mas que devem ser considerados na história da cidade e do político.

Mas nem por isso Expedito baixou sua cabeça. Dizia que ainda voltaria a governar o seu município e que entraria para os brios da história da política areia-branquense como o primeiro prefeito a governar Areia Branca por três vezes. E aconteceu.  Quero aqui lembrar que Expedito também foi candidato a deputado estadual no ano de 1996. Naquele ano votei no areia-branquense de coração.

Lembro-me da nossa ultima conversa antes de assumir o seu terceiro mandato, estava eu no Hospital local para uma consulta quando o mesmo chegou também enfermo e logo começamos a conversar quando lhe perguntei sei ainda tinha o desejo de se candidatar a algum cargo político. Ele respondeu assim: “Paulinho a vera só está ferida. Eu ainda não morri. Vou tocar meu projeto político para frente, e escreva, pois sei que você gosta muito de escrever, que ainda vou governar Areia Branca. Vou dar a volta por cima”. Guardei aquelas palavras do ilustre político do povo e testemunhei o cumprimento daquelas palavras.

Uma das últimas fotos do Leão divulgada na imprensa local que informava sobre a saúde do ex-prefeito. (Foto: Divulgação)

Um outro dia relembrando daquele momento, amanheci com uma vontade imensa de conversar com ele, para justamente escrever um artigo sobre sua vida desde a sua infância até a sua vida na política. Foi em vão. Porém em um determinado instante corre rumores da noticia do falecimento do mesmo. Fiquei sem acreditar, achava que fosse mais uma das conversas da indústria da dos boatos local. Em minutos a noticia oficial “Morre aos 70 anos, o Leão, uma das grandes lideranças políticas do município de Areia Branca”.

A cidade parou, se calou e sofreu com a partida de um dos seus maiores lideres. Eu dizia em voz baixa e embargada “O Leão Leonêz partiu…”.

A todos que um dia o admiraram como pessoa e líder político, lembre-se de Expedito Leonêz da melhor forma que você queria que pensassem de você. Ele soube ser solidário, humano, amigo e companheiro. Suas virtudes foram maiores do que seus erros como humano. Expedito Gomes Leonêz, o eterno “Leão” areia-branquense entrou para a história deste pequeno pedaço do Brasil. Que descanse em paz.

Paulo César de Brito
cronista areia-branquense