«

»

mar 30

Imprimir Post

Crônica: Breve relato de amizade com Chica Fernandes

Digo sempre através dos meus escritos que Deus sempre colocou e ainda continua a colocar anjos em nossa companhia. Seja através de familiares, amigos, conhecidos. O importante é que coloca.

Hoje amanheci com saudade de uma pessoa que fez e continuará a fazer parte da minha vida. Quero aqui com todo carinho falar da pessoa de Francisca das Chagas da Silva, na pia batismal. Para nós seus familiares e dos amigos próximos carinhosamente a chamávamos de “Chica”.

Meus primeiros contatos com ela aconteceu no início do ano de 1993, quando iniciei amizade com uma de suas irmãs, Regi Clesia Fernandes. A mesma morava com sua avó paterna ali no bairro Cohab. Chica ainda em sua adolescência era de estatura mediana, pele branca e cabelos loiros cacheados, por sinal belíssimos e bem tratados. Uma garota ao seu tempo dócil, carinhosa, irreverente e algumas vezes chata.

Minha amiga Chica irradiava os ambientes com sua presença marcante (Foto: Arquivo Pessoal)

Minha amiga Chica irradiava os ambientes com sua presença marcante (Foto: Arquivo Pessoal)

Percebia que a mesma não me suportava. Mas, com um tempo, digo, questão de dias tornou-se uma das melhores amigas. Nossos encontros de início aconteciam ali na primeira praça do bairro da Cohab quando existia, onde hoje é a Fundação de Apoio ao Idoso Rita Fernandes. Naquele local conversamos um pouco de tudo em especial sobre os prazeres e os males que trazem a fase da adolescência. Um dos assuntos preferidos da Chica era namoro na referida fase.

E nesse vai e vem de assuntos de namoricos, no ano de 1995, precisamente no dia 12 de abril, eu e Chica resolvemos “ficar”. Ou seria namorar? Eu fiquei um pouco temeroso, confesso. Não que eu não gostasse da garota, mas por causa da nossa diferença de idade. Eu era alguns anos mais velho. Com um tempo aprendi que para o gostar e o amar não há idade fixada. É deixar acontecer naturalmente. Verdade, verdadeira.

Anos se passaram e nós amadurecemos. Com dois anos alternados de namoro, ou seja, o nosso namoro não era aquela coisa fixa de todos os dias nos encontrarmos e batermos papo, beijos e abraços. Isso não. Então um certo dia resolvemos nos relacionarmos como um casal. Se passaram alguns meses de romance então fui comunicado por ela sobre alguns sintomas de gravidêz como enjôos e atraso nas regras femininas. Em fevereiro de 1999 nascia o fruto do nosso relacionamento que batizamos de João Paulo. Um belo menino.

Porém não parou por aí. No ano seguinte, mais precisamente em outubro nascia Victória Brito nossa caçula, a quem chamo até hoje de menina. Nunca fizemos morada juntos, porém criamos nossos filhos suprindo as necessidades básicas do cotidiano dando-lhes carinho, amor e educação. Essa criação permanece até os dias de hoje.

Chica cresceu sempre mantendo viva a fé em seu coração. Foi batizada e recebeu o sacramento do batismo e sua primeira eucaristia na Igreja Católica. Em 18 de dezembro de 2011, ela decide dizer sim ao ministério do Senhor, sendo batizada nas águas e tornando-se membro da Igreja Internacional da Graça de Deus em Areia Branca. Daquele momento em diante, passou a seguir os ensinamentos das sagradas escrituras.

Em outro registro pessoal, Chica posando para foto ao lado dos filhos João Paulo e Victoria Brito (Foto: Arquivo Pessoal)

Em outro registro pessoal, Chica posando para foto ao lado dos filhos João Paulo e Victoria Brito (Foto: Arquivo Pessoal)

Chica em sua vida cresceu sentindo a necessidade da presença do Deus vivo em sua vida, mesmo sendo batizada e recebendo alguns dos sacramentos do batismo e da sua primeira eucaristia na Igreja Católica. No dia 18 de dezembro de 2011, a mesma decide oficializar seu “Sim” ao ministério do Senhor, sendo batizada nas águas, sendo membro da Igreja Internacional da Graça de Deus em Areia Branca. Daquele momento em diante passou a servir ao seu próximo como manda as sagradas escrituras, conforme dito em Marcos 16.15 “Ide por todo mundo e pregai a toda criatura”. E foi, o que ela e outros como, as Irmãs Nadine Ribeira, Regi Clesia Fernandes, Rejane Cortez, Cleide Lemos e Fátima Duarte. Além, é claro, dos irmãos Aldemar Júnior, Júnior Barros, Naldo, Francinaldo e outros que não me vem na memória. Ah, o nome do grupo? Chamava-se “Pão e Vida”. Grupo que além do alimento da palavra do Senhor, também alimentava os mais necessitados com sopa e refeições solidárias. Uma benção como diria os demais irmãos em Cristo.

Antes no ano de 2010, sua saudosa genitora Francinete Fernandes foi diagnosticada com câncer no útero. Uma Via Crucis para a jovem Chica. Como a mesma morava com sua mãe, também se responsabilizou de acompanhar sua querida mãe em suas consultas na Liga de Câncer Norte-rio-grandense na capital. Antes era acolhida no Albergue Noturno de Natal e na casa de Apoio aos Areia-branquenses naquela cidade, onde todos os colaboradores daquela unidade se tornaram próximos de Chica e Francinete, recebendo o respeito de todos.

Diante de todas as consultas e tratamento o câncer venceu no dia 20 de julho de 2014, o corpo de Francinete, pois a alma da mesma já era propriedade Jesus. Foi para a morada eterna, onde não haverá dor e nem choro.

Com a partida da sua genitora Chica ficou um período quase que depressiva. Pensava em sua mãe diariamente em busca de respostas para as suas indagações tipo, o que fazer? Como caminhar? Que direção tomar? No mesmo ano a mesma sentiu em seu coração o desejo de caminhar em novos horizontes, desta vez em um novo relacionamento amoroso. Encontrou em questão de meses a tal vivência. A mesma já se organizava para um possível matrimônio. Feliz da vida preparava tudo com carinho. Fico a pensar cá com meus botões, será que a amiga Chica orou o suficiente a Deus por esse novo amor? Seria do agrado de Deus essa união? Estaria esse relacionamento nos planos de Deus? Isso não sei. Infelizmente não deu tempo para os seus projetos aqui na terra. Deus precisava dela para outros afazeres no lar celestial.

Ladeada pelas irmãs Regi Clecia e Emanoela Fernandes, Chica era sempre sorridente (Foto: Arquivo Pessoal)

Ladeada pelas irmãs Regi Clecia e Emanoela Fernandes, Chica era sempre sorridente (Foto: Arquivo Pessoal)

A súbita partida de Chica aconteceria no dia 04 de maio 2015, quando a mesma sentiu-se mal em casa e foi internada no Hospital Santa Catarina zona norte de Natal, onde precisou fazer transfusão de sangue. Na quarta-feira, dia 06, a mesma voltava a sentir-se mal, desta vez levada ao Hemocentro para uma avaliação e exames de praxe naquela unidade. Havia uma suspeita que a mesma tivesse acometida de uma doença chamada Púrpura. A mesma recebeu liberação médica para repousar em casa. Foi para a casa da sua irmão Emanoela, na praia de Cajueiro, município de Touros-RN. Já na casa de sua irmã, a mesma teve uma parada cardiorrespiratória, precisando ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, que fez a remoção para o Hospital de Touros.

Naquela mesma noite foi transferida às pressas para o Hospital Regional Walfredo Gurgel, em Natal, onde diante da gravidade foi entubada. Os familiares receberam as notícias advindas do Hemocentro que Chica deveria retornar com urgência para realizar o exame da lâmina, pois tratava-se de problema grave. Os familiares informaram que a mesma já estava internada em estado grave no Walfredo Gurgel, onde já tinha sofrido quatro paradas cardiorespitatórias.

Após dois dias internada e ainda entubada sem responder a qualquer reanimação naquela unidade hospitalar as 13:10hs, a Leucemia Mieloide Aguda vencia em definitivo a nossa amada guerreira Chica, que parecia imbatível.

Dela quero somente lembrar dos bons momentos que vive com aquela pessoa que soube acima de tudo ser uma amiga, companheira, conselheira, mãe, filha e irmã.

Ela me deixou um casal de filhos, além é claro de uma experiência e exemplos que levarei comigo durante o meu tempo de vida, em especial o que vivenciei na presença dessa grande figura humana. Dela tenho saudades.

Chica, saiba que deixastes saudades nos teus verdadeiros familiares que até hoje continuam a te amar. Dos poucos amigos que conquistastes em teu ciclo de amizades, permanecerá acessa a tua angelical imagem em nossas mentes e tua infinita presença em nossos humildes corações. Eu fui privilegiado por fazer parte dessa amizade. Fomos bons amigos, digo com convicção.

Não posso falar por irmãos, filhos, amigo, mas tenho certeza que minha fala os representam pela pessoa carismática e bondosa que você era.

Que seu exemplo de humildade seja e nosso conforto e apoio para fortalecer a nossa fé.

Tenho a plena certeza que a nossa eterna Chica hoje dorme na presença do Senhor Jesus, onde um dia nos veremos no paraíso. Pois é promessa do Senhor quando Ele nos diz no evangelho de São João 14. 1-3 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.

Paulo César de Brito
Cronista Areia-branquense

Link permanente para este artigo: http://vozdeareiabranca.com.br/2016/03/cronica-breve-relato-de-amizade-com-chica-fernandes/

3 comentários

  1. ceso mavignier

    Parabéns Paulo, você sempre nos surpreende com sua crônicas. que Deus ti abençoe.

  2. Maria Antonia

    Bonita e merecida homenagem. Parabéns!

  3. cristaine goes

    boa tarde ,grande amigo fazia tempo que não lia suas cronicas hoje me deu saudade e quando abro vejo essa homenagem linda a chica que tive o prazer de conhecer ainda criança e na época que sai de AB ,vcs se conheceram ,e através da sua escrita pude acompanhar toda a evolução da sua adolescência ate a chegada ao senhor,fiquei muito triste e surpresa pois uma pessoa tao linda,cheia de vida e de planos parti assim ,mais Deus sabe de todas as coisas e nele devemos confiar.Parabéns amei sua homenagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>