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mar 27

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Crônica: O bajulador

(Imagem: Reprodução/Internet)

(Imagem: Reprodução/Internet)

Hoje recebi a visita de um conterrâneo que não o avistava há alguns anos. Fiquei feliz por saber que um conterrâneo quando migra para outras terras, e quando vem em visita aos seus pagos em sua terra natal, tratam logo de procurar seus colegas e amigos que ainda resistem por aqui. Conversa vai, conversa vêm, lembranças dos tempos de crianças e adolescência, de repente a criatura começou a falar, ou melhor, a bajular a imagem de um político influente em nossa cidade. Não suportei e me causou náusea.

Essa cena logo me fez lembrar-se do conterrâneo amigo e compadre Alberto José, ou simplesmente Albertinho de Socorro Buchudinho para os amigos, hoje morador na capital Fortaleza, que dizia ser o bajulador o único tipo humano que não se pode classificar, porque se trata de um desclassificado num grau além, muito além do que pode alcançar o poder da palavra , quando muito, e é muito pouco, um ser sem caráter nenhum. E dizia mais: é fácil identificar o pior tipo de bajulador, ou antes, o mais perigoso. É o que baixa e murcha o rabo, feito assim cachorro enxotado, para atender, num passo ligeiro, ao chamamento do chefe bajulado.

Sim, o bajulador é um ser sem caráter nenhum. Não nego. Apenas lhe reconheço, e por dever de justiça, a teatralidade como inclinação, muito embora pelo avesso, para a arte de representar. Bom, digo pelo avesso, considerando que a bajulação, sobre anular o homem como personalidade, confronta com as vias repugnantes da traição – é só pintar à hora do Judas. O próprio Jesus Cristo disse para um bajulador, “vade retro satanás”, ou seja, “afaste-se de mim satanás”.

É no trabalho onde mais se pode encontrar desse tipinho… Já trabalhei com várias pessoas possuidoras desse dom. Tenho a plena certeza que em sua área de trabalho esta empestado. É um verdadeiro serpentário.

É fácil identificar um grande bajulador em uma empresa. Vamos aos detalhes. O indecente concorda com tudo que o patrão diz, mesmo que seja contra suas crenças, sempre ri quando o patrão sorri ou conta uma piada, se oferece para fazer algo além da sua função e ele sabe que não receberá nada por isso, ou seja, é um boneco nas mãos do patrão, a quem pensa estar agradando quando na verdade muitas vezes o faz para manter o emprego, ser promovido ou aumentar o salário.

Se o chefe for um chato, mas mesmo assim o cara continua dizendo que ele é maravilhoso ou o salário dele é maravilhoso. O que na verdade o bajulador não deseja é deixar de estar na presença do amado chefe.

Nas minhas pesquisas cheguei a descobrir dois tipos de bajulador: o declarado e o astuto. Acredito eu que devemos tomar mais cuidado com o segundo tipo. Afinal o primeiro evidentemente, dispensa muitos cuidados. Já o astucioso, o segundo tipo de bajulador repousa no fato de ter as aparências de um amigo.

O bajulador astuto é uma espécie de imitador barato. Alguém que não possui nenhuma opinião, mas que segue apenas as daquele de quem deseja obter algum benefício.

Dessa forma, a primeira maneira pela qual se pode conhecer um bajulador é simular uma mudança de opinião. Diante de tal ato, ele, invariavelmente, muda também a posição, demonstrando, com extrema clareza, o quanto suas opiniões são volúveis e interesseiras.

Encurtando, um bajulador jamais será franco com alguém, salvo se isso não desagradar à pessoa a quem deseja bajular. O Amigo Alberto José tem toda razão. Obrigado amigo por me abrir os olhos.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Link permanente para este artigo: http://vozdeareiabranca.com.br/2015/03/27/cronica-o-bajulador/

3 comentários

  1. julimar

    Grande Paulo Cesar, bela crônica.Você me fez lembrar de algumas figuras de nossa terrinha.kkkkk.

  2. areiabranquense

    Areia branca está em primeiro lugar

  3. Pedro Bento da Silva

    Parabéns pela crônica, o bajulador ou xeléleu é uma figura típica que está em tudo que é canto, feito erva daninha, Deus nossó Senhor que nos livre de gente assim.

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