Crônica: O bajulador

(Imagem: Reprodução/Internet)
(Imagem: Reprodução/Internet)

Hoje recebi a visita de um conterrâneo que não o avistava há alguns anos. Fiquei feliz por saber que um conterrâneo quando migra para outras terras, e quando vem em visita aos seus pagos em sua terra natal, tratam logo de procurar seus colegas e amigos que ainda resistem por aqui. Conversa vai, conversa vêm, lembranças dos tempos de crianças e adolescência, de repente a criatura começou a falar, ou melhor, a bajular a imagem de um político influente em nossa cidade. Não suportei e me causou náusea.

Essa cena logo me fez lembrar-se do conterrâneo amigo e compadre Alberto José, ou simplesmente Albertinho de Socorro Buchudinho para os amigos, hoje morador na capital Fortaleza, que dizia ser o bajulador o único tipo humano que não se pode classificar, porque se trata de um desclassificado num grau além, muito além do que pode alcançar o poder da palavra , quando muito, e é muito pouco, um ser sem caráter nenhum. E dizia mais: é fácil identificar o pior tipo de bajulador, ou antes, o mais perigoso. É o que baixa e murcha o rabo, feito assim cachorro enxotado, para atender, num passo ligeiro, ao chamamento do chefe bajulado.

Sim, o bajulador é um ser sem caráter nenhum. Não nego. Apenas lhe reconheço, e por dever de justiça, a teatralidade como inclinação, muito embora pelo avesso, para a arte de representar. Bom, digo pelo avesso, considerando que a bajulação, sobre anular o homem como personalidade, confronta com as vias repugnantes da traição – é só pintar à hora do Judas. O próprio Jesus Cristo disse para um bajulador, “vade retro satanás”, ou seja, “afaste-se de mim satanás”.

É no trabalho onde mais se pode encontrar desse tipinho… Já trabalhei com várias pessoas possuidoras desse dom. Tenho a plena certeza que em sua área de trabalho esta empestado. É um verdadeiro serpentário.

É fácil identificar um grande bajulador em uma empresa. Vamos aos detalhes. O indecente concorda com tudo que o patrão diz, mesmo que seja contra suas crenças, sempre ri quando o patrão sorri ou conta uma piada, se oferece para fazer algo além da sua função e ele sabe que não receberá nada por isso, ou seja, é um boneco nas mãos do patrão, a quem pensa estar agradando quando na verdade muitas vezes o faz para manter o emprego, ser promovido ou aumentar o salário.

Se o chefe for um chato, mas mesmo assim o cara continua dizendo que ele é maravilhoso ou o salário dele é maravilhoso. O que na verdade o bajulador não deseja é deixar de estar na presença do amado chefe.

Nas minhas pesquisas cheguei a descobrir dois tipos de bajulador: o declarado e o astuto. Acredito eu que devemos tomar mais cuidado com o segundo tipo. Afinal o primeiro evidentemente, dispensa muitos cuidados. Já o astucioso, o segundo tipo de bajulador repousa no fato de ter as aparências de um amigo.

O bajulador astuto é uma espécie de imitador barato. Alguém que não possui nenhuma opinião, mas que segue apenas as daquele de quem deseja obter algum benefício.

Dessa forma, a primeira maneira pela qual se pode conhecer um bajulador é simular uma mudança de opinião. Diante de tal ato, ele, invariavelmente, muda também a posição, demonstrando, com extrema clareza, o quanto suas opiniões são volúveis e interesseiras.

Encurtando, um bajulador jamais será franco com alguém, salvo se isso não desagradar à pessoa a quem deseja bajular. O Amigo Alberto José tem toda razão. Obrigado amigo por me abrir os olhos.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Paulo César

Cronista e colaborador do site Voz de Areia Branca.

3 comentários em “Crônica: O bajulador

  • 29 de Março de 2015 em 10:27
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    Grande Paulo Cesar, bela crônica.Você me fez lembrar de algumas figuras de nossa terrinha.kkkkk.

  • 12 de setembro de 2015 em 11:46
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    Areia branca está em primeiro lugar

  • 14 de novembro de 2016 em 11:53
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    Parabéns pela crônica, o bajulador ou xeléleu é uma figura típica que está em tudo que é canto, feito erva daninha, Deus nossó Senhor que nos livre de gente assim.

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