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Crônica: As bodegas do passado

Foto ilustrativa que demonstra o cenário típico das bodegas do passado em Areia Branca.

Foto ilustrativa que demonstra o cenário típico das bodegas do passado em Areia Branca.

Não sei se é assim com todo mundo. Depois que cresci tive a sensação de que encurtaram aquelas distâncias do tempo da infância que, aos meus olhos de menino, pareciam tão longas. Coisas e pessoas de minha época de criança que procuro nos quatros cantos de minha Areia Branca e não mais vejo. Nesse contexto tenho como  exemplo as bodegas de antigamente.

Será que é culpa da evolução do tempo, ou culpa dos seus proprietários que não souberam manter a tradição no seu ambiente de trabalho? Coisas dessa natureza.

Hoje amanheci com uma baita saudade das bodegas do passado e do melhor das bodegas da minha infância, onde muitas das vezes minha mãe me mandava fazer as comprar e eu admirava os bodegueiros quando faziam os embrulhos de produtos como açúcar, café, farinha. Aquele embrulhado era como se estivessem costurando alguma coisa. Na minha cabeça aquilo tinha um formato de pastel ou então de meia lua. Coisas da imaginação de uma criança.

Você ai do outro lado deve estar pensando… lá vem ele escavacar pessoas e costumes do passado. Ora, pois, se isso me faz bem, fazer o que? Trago na lembrança as bodegas de Chico Joaquim, João Rebouças, Pedoca, Wilson Rebouças, Raimundo Manoel, Raimundo de Branca, Zé Pereira, Francisco Rebouças, João Augusto, Seu Toinho, Raimundo dos Bodes, Dedé de Otávio, Chico Gomes, como também as bodegas de Seu Virgílio, Cícera e Geralda, Cícero e Adalgisa, Zeca Cândido, Vicente Alcântara, Manoel Ceguinho e Valdemar da hora.

Antonio de Celina em sua bodega em Pedrinhas: exemplo de resistência e tradição (Foto: Carlos Júnior/Voz de Areia Branca)

Antonio de Celina em sua bodega em Pedrinhas: exemplo de resistência e tradição (Foto: Carlos Júnior/Voz de Areia Branca)

Por várias vezes ouvi falar e frequentei também as bodegas de Valdemar Pimbinha, Sebastião do Rojão, Bem-te-vi, Gilvan e Chicão, Zé Martins, Osmar Coelho, Augustinho pai de Augusto da borracharia, Damião Coringa, Aureliano Rebouças, Meu Chico, Bebeta de Evilázio e Ceará, Chico Pedro, Marcelino, Jaquetânio, Zé mendes, Paulinho de Chaguinha da Padaria, Seu Afonso pai de Máximo Rebouças, Zé Aires, Raimundo Simão, Manoel de Souza, Robério, Luiz Tozinho, Arminho, Chico Chaga, João Barbudo, Raimundo Cabral, Luzimar Maia e Seu Chico Rebouças.

Quem é que lembra das bodegas de Zé de Bando, Mundoquinha, Edgar pai de Viviço, Chico da Redonda, Manezinho do Mel, Baquinha pai de Gonzaga do Mel, Rogério de Miguel de Panta e Jorge da Hora e Antonio de Celina lá em Pedrinhas?

Até aqui são esses que vieram em minha lembrança. Tenho certeza que existem tantos outros que aqui eu não citei por falha da memória.

Só sei que é verídico que estes grandes comerciantes prestaram grandes serviços às comunidades nas quais estavam inseridos. Em cada bairro havia pelo menos uma ou duas, em cada conglomerado de ruas, tinha uma bodega de esquina.

Em tempos difíceis que nosso povo viveu, era comum ir aos estabelecimentos dos nossos bons e velhos bodegueiros comprar meia lata de óleo, uma fileira de bolacha cream crack ou mesmo a metade de uma barra de sabão. Ainda sinto o cheiro daquelas bodegas por onde andei e dos costumes do nosso povo de antigamente.

Algumas ainda resistem e conseguiram chegar ao presente. É verdade que em número menor, mas em uma volta pela cidade conseguimos identificar alguns bodegueiros.

O ditado afirma que quem vive de passado é museu, mas eu prefiro regressar ao passado vez ou outra e trazer aquelas coisas para o presente nos meus textos para tentar mostrar e comparar as coisas de antigamente.

Diante dessa viagem que faço, chego à certeza de que éramos felizes e sabíamos. Sinto falta das bodegas do passado.

Para que viver de um presente que não tem brio para nos repassar a não ser a guerra cotidiana em todas as suas formas como os preconceitos que geram intrigas, a ganância e a inveja.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Link permanente para este artigo: http://vozdeareiabranca.com.br/2014/08/cronica-as-bodegas-do-passado/

15 comentários

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  1. gorethi silva

    adorei voltei o passado faltou a bodecga de Paulo Pinto rsrsrsrs

  2. Aldemar Dantas

    Verdade PC, além destas “bodegas” já citadas ainda lembro tb de S. Batista e D. Eliza (Pai e Mãe de Macêdo), Zé de Mena (meu sogro), Zeca de Lolola (que depois passou pra Robério) e o quiosque de S. Luis “Coró” ali no final da Cel. Liberalino. Velhos tempos que nos trazem ótimas lembranças, quando comprávamos até perfume em tampinhas (medidas), querosene na bomba (1/2 garrafa), bolacha preta, óleo de côco e tantas outras coisas. Tudo isso nos faz ver o quanto já vivemos e fomos felizes.

  3. Gilson de Souza

    Parabéns, Paulo César, suas crônicas são sempre bem vidas. Está ajudando a preservar a memória da cidade. E a projetar a sua memória como imortal também.

  4. joselita

    muito interessante… é para mim uma volta a um passado não tão distante. Pois como você disse, algumas ainda resistem. Faltou bodega de Chico Gomes, ela ainda é uma das que existem…

  5. FRANCISCO CEZIMAR DE SOUZA JUNIOR

    Meu caro Paulo Cesar, ótimas lembranças da minha querida Areia Branca.
    Só pra ajudar tem também as bodegas de Seu Zezito e Seu Ze Cunha na Xavier Fernandes. Acho que não citou.
    Saudades daquele tempo.

  6. adriana menezes

    a bodega de zudimar maia inclusive foi a primeira a ter portas largas em areia branca nao vamos esquecer essa pessoa que tanto trabalhou por melhores condiçoes de sobrevivencia seria uma injustiça .

  7. Antonio Elden Belem da Silva

    Parabéns Paulo Cesar, faltou a bodega de seu Raimundo Caçula, de Dão e de Zequinha Nogueira, lembro ainda que a medida usada era a libra, e que comprávamos 1/4 de rapadura hahahah!!!!!!

  8. cristaine goes

    VIXI que esse menino ,sempre toca o coração da gente.
    PC lembrei um monte de gente que eu comprava muito,kkkk principalmente seu Osmar, seu Valdemar eta que era bom de mais comprar chiclete do plocmonster kkkk quem lembra desses? ADORO LER SUAS CRONICAS ,SEMPRE ME LEVAM ATE AREIA BRANCA .
    PARABENS VOCE É DEZ

  9. Celso mavignier

    Parabéns Paulo em trazer memória os tempos de grandes valores, onde se comprava fiado, e o débito era registrado em uma caderneta.

  10. Eliana L.Dantas Gamble

    Gostaria da sua autorização para colocar esta foto como parte integrante do meu website. Grata e

  11. carlosjunior

    Autorizado, desde que citada a fonte.

  12. josivan antonio

    Vlw PC!!!!!!! importantíssimas suas crônicas……quão bom é reviver tempos de nossa infância……quem nunca comprou em alguma dessas bodegas?kkkkkkkk.

  13. Antonio Edson

    Eu cresci dentro de uma que pertencia ao meus pais, Seu Joaquim e Dona Francisca, na Trv. Antonio Quixabeira. Despachei muito querosene a graneu, manteiga e creme no peso, óleo em medida, hj vc só ver medindo wisque, e aprendi a fazer a costura no papel pra colocar o açucar comentado por PC.

  14. Leila Melo

    Parabéns Paulo, vamos relembrar da bodega de seu Antônio Alcandra que era ali no mercado, mamãe mandava compra qualquer coisa que estivesse faltando, como uma caixinha de fosforo. era bom demais
    aqueles tempo de criança.

  15. RICARDO DA ROCHA

    Hoje voltei ao passado quando criança e lembrei tantas coisas boas e principalmente orgulho da família que tenho e do meu pai Antônio de Celina com é conhecido, foi criado e educado com a renda da minha família tirada dessa bodega, que iniciativa boa, é assim que conseguimos preservar a cultura de um povo.

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