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ago 09

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Crônica: A Volta da Infância

Procissão marítima ocorrem sempre no dia 15 de agosto pelas águas do rio Ivipanim (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Procissão marítima ocorrem sempre no dia 15 de agosto pelas águas do rio Ivipanim (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Agente sempre está recordando alguma coisa. A infância volta ao coração sem esquecer nada. Ou quase. E nos damos conta da beleza da infância. Dos seus sentimentos diante do mundo. As pessoas que nos rodeavam pareciam eternas. O próprio medo que fazia a gente se agasalhar no colo da mãe nos vem à lembrança cheia de poesia.

Por que será que a infância volta ao coração no entardecer da vida? Não, não será vontade do recomeço. Também não sei dizer o que seja. Medo do fim? Mais também pode ser porque, ao longo dos anos, o mesmo coração se torna diáfano a historia da vida, sejamos historiadores no sentido vulgar, ou não. Seja o que for o fato é que a infância nos volta à alma, no entardecer.

Outro dia estava a conversar com minhas lindas e amáveis filhas, digo, Aline, Cecillia, Victoria e Alyssandra, onde elas me perguntavam sobre minha infância. E eu lhes falava feliz da vida sobre minha meninice e costumes do meu povo. Lembranças vivas. Parece que estou vendo a festa de agosto, festejos alusivos a Virgem dos Navegantes, na minha terra. Momento de unir as famílias, mesmo àqueles que moravam a distancia em outras cidades do estado. O momento era de encontro e de felicidade. A festa era muito simples, da religiosa a social.

Devotos acompanharam procissão marítima e terrestre e assistiram missa campal no Centro Juvenil. (Foto: Gilson de Souza)

Devotos acompanharam procissão marítima e terrestre e assistiram missa campal no Centro Juvenil. (Foto: Gilson de Souza)

Na parte religiosa havia novenas, orações, confissões e comunhão. Tendo seu ponto principal as procissões marítima e terrestre. Na procissão marítima era obrigatório as empresas marítimas de nossa cidade cederem suas embarcações para trafegarem com os fiéis e peregrinos na procissão. As embarcações, iates, lanchas, baiteiras e canoas eram todas embandeiradas. A lancha São Salvador conduzia a imagem da santa.

Quando a procissão marítima chegava a seu destino final e os fiéis desembarcavam no cais, dali já se iniciava a procissão terrestre. A multidão tomava conta das ruas da cidade. O único carro de som existente na procissão era o carro de som da empresa Café Kimimo. Era uma mercedinha vermelha, com dezoito bocas de ferro. Sendo dozes nas laterais e seis na parte dianteira e traseira. Muitas das vezes eu ia dentro desse veiculo. Além da incalculável multidão, a procissão terrestre era seguida por veículos, na qual os proprietários transportavam seus familiares.

Já na parte social as festa com bandas tradicionais aconteciam nos dia 13,14 e 15 de agosto. As bandas que animavam a parte social da festa, a maioria era advindas da cidade pernambucana do Recife. Eram, Alcano, Scorpions e Trepidant´s. Os clubes eram o Ivinanim, Credorn e a quadra da Escola Técnica de Comercio. Hoje a festa de agosto perdeu muito da sua essência. Na parte religiosa pouquíssima participação. Na parte social a festa de agosto transformou-se em superprodução. Onde as bandas, cantores e produtores saem com os bolsos cheios de dinheiro. Digo isso com os artistas forasteiros. Por que os dar terra mesmo, fazem à coisa perfeita acontecer. Mais quando chega à parte financeira é uma pequeníssima quantia. Bem não cabe a mim aqui dizer o que é certo ou errado, do antes e do depois. Era assim a festa de agosto. A infância volta ao coração, no entardecer.

Paulo César de Brito
cronista areia-branquense

 

Areia Branca, 03 de agosto de 2011

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3 comentários

  1. TONY ALBINO

    Meu amigo Paulo César. Essa crônica nos faz visitar os tempos áureos da festa dos navegantes. Realmente a coisa era mais eclética e saudável, nessa época eu adorava as festas que eram realizadas na quadra da Escola Técnica do Comércio, não lembro muito bem o ano e a banda que estava se apresentando naquele local, e na hora do intervalo pela primeira vez os areiabranquenses viram o efeito de fumaças prosduzido pela banda, foi uma correria só, imaginava-se que a banda estava pegando fogo. Velhos tempos que não voltam nunca mais. Parabéns pela crônica colega, muito bela mesmo.

  2. Robson Lucy

    Segundo relatos, a referida que produziu tais efeitos foi a banda Trepidants.

  3. Robson Lucy

    Segundo relatos, a referida banda que produziu tais efeitos foi a banda Trepidants.

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