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abr 04

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Crônica: Os recreios de minha infância

Este escritor e o ilustre professor Luiz Alves (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Este escritor e o ilustre professor Luiz Alves (Foto: Carlos Júnior/Arquivo)

Um certo dia quando chegava para mais um dia de trabalho no Samu em Areia Branca, tomava um delicioso café da manhã ao lado dos companheiros de trabalho como a Técnica em Enfermagem Sandézia Costa e o guarda municipal Kinca, surgiu o assunto das brincadeiras de rua e da época de adolescente.

Daquele tempo preservo ótimas amizades que nem mesmo a distância separa, dada a essência criada em meio aos momentos e brincadeiras que vivenciamos.

Kinca lembrou com saudade dos bons tempos de estudos no Grupo Escolar Romão Ferreira do professor Luiz Alves. Ali, era uma verdadeira faculdade de matemática, pois costumávamos dizer que aquele que não apreendesse a matemática e suas quatro operações, não mais aprenderia em lugar algum.

Papel e caneta eram suficientes para uma brincadeira saudável como adedona (Foto: Reprodução)

Papel e caneta eram suficientes para uma brincadeira saudável como adedona (Foto: Reprodução)

A cartilha do ABC era aplicada junto com a Tabuáda de matemática, detalhadas, passo por passo. Qualquer erro, éramos cientes que a palmatoria comia no centro, ou melhor, nas mãos.

Na conversa, lembrei aos demais que ali naquela escola, onde muitos tinham por obrigação o dever de cantar, mas era cantar mesmo, o Hino Nacional, Hino da Bandeira, Hino do Rio Grande do Norte e o da Independência. Outro detalhe é que na sala de aula também cantávamos hinos e cânticos da igreja católica além das cantigas e brincadeiras de roda.

Alguns ainda recordo até os dias de hoje como; “Sabes Senhor, o que temos é tão pouco pra dá, mais este pouco nós queremos com os irmãos compartilhar”, e outro que cantarolávamos em roda; “Quando o vento dava e as folhas caíam/ Caiam no mar oi Siriri comia/ Siriri comia, Siriri gostava, quando o vento dava oi/ e as folhas caiam”.

Objetos de trabalho do professor Luiz Alves estão hoje, expostos no Museu Máximo Rebouças (Foto: Reprodução)

Objetos de trabalho do professor Luiz Alves estão hoje, expostos no Museu Máximo Rebouças (Foto: Reprodução)

Seu Luiz Alves cantava de um jeito bem extrovertido, gesticulando muito para a alegria e aplauso dos alunos que eram muitos. Saudades daquele Grupo Escolar.

Falei com saudades da época que estudei na Escola Técnica Comercial, hoje Escola Municipal Professora Geral da Cruz, dos tempos em que as meninas faziam seus questionários em cadernos pequenos de 48 folhas, entre os quais estavam perguntas como nome, idade, signo, nome do primeiro beijo, primeiro fica, primeiro namorado, etc. O questionário sempre circulava entre os garotos paquerados pelas meninas que faziam as perguntas. A intenção das meninas era conhecer o perfil completo daquele menino que ela estava interessada. Dalí, elas dariam a cartada final para uma possível paquera. Muitas obtinham êxito na brincadeira.

Além dessa, existia também aquela brincadeira de rodar o chinelo, com perguntas e respostas de acordo com a posição em que o chinelo pairava. Policial, Assassino e Vítima funcionava da seguinte forma: o Assassino deveria matar a vítima sem que o policial percebesse. O policial, se não fosse esperto, só descobriria no final da brincadeira, depois de todas as vítimas já mortas na brincadeira, que acontecia em grandes rodas de amigos nos recreios escolares ou em outros locais de encontros da juventude.

perguntas-e-repsotas-1-533x400Para os que estudavam nas escolas próximas as praças da Codern, Praça da Conceição e Praça do Pôr-do-sol, a atração era ir a procura de comer castalholas e cajaranas, aproveitando dos amplos espaços para brincar de tica, ou qualquer outra coisa que reunisse a meninada. Naquela época não tinha essa de destruir o patrimônio público como muitos jovens, lamentavelmente praticam na atualidade.

E tem mais. Quem ousasse aprontar contra algo alheio ou alguém, sofria a famosa pisa de corda, chinelo, ripa ou cinturão, já que sempre havia o famoso enredo. “Fulano enredou ao pai de cicrano que quebrou a lâmpada da praça com uma pedrada, que levou uma baita surra”, eram os boatos que surgiam depois.

Na Escola Técnica Comercial, além de estudar, me diverti com meus amigos (Foto: Reprodução)

Na Escola Técnica Comercial, além de estudar, me diverti com meus amigos (Foto: Reprodução)

Hoje fico triste por não mais existir esses tipos de brincadeiras nos intervalos das aulas nas escolas.
Antes chamávamos de recreio, a pausa de meia hora entre uma aula e outra. Hoje, não mais existe recreio que cedeu lugar ao intervalo, vazio.

Mesmo estando em sala de aula com o mestre partilhando conhecimentos, os alunos de hoje preferem ouvir música, trocar mensagens e acessar ao facebook em pleno horário de aula. Falta de respeito destes para consigo mesmo e para com os nossos professores. Digo isso já que os próprios alunos postaram fotos nas redes sociais comprovando o fato. Triste realidade.

Melhor é ficar aqui com a saudade da felicidade advinda do passado, extraída de coisas simples em que as relações pessoais eram valorizadas. Como pai, a partir das fotos que vi, orientarei meus filhos para que isso não pratique.

Encerro dizendo que tenho saudade das brincadeiras de recreio dos meus tempos de escola, e ponto!

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

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5 comentários

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  1. Julimar França

    Grande Paulo, na época da escola técnica, também aproveitávamos a quadra na hora do recreio, uma das poucas que existia em nossa cidade na época.

  2. cristiane goes

    tenho saudade também da minha antiga escola ,onde brinquei e namorei muiiiiiiiiiiiito ,kkkk.

    lembro das cartilhas que estão expostas no museu era tao bom…..

  3. celso mavignier.

    Poulo, como sempre recordando os tempos bons. voce mi fez lembrar das alvoradas que seu Luiz fazia nas datas comemorativas, como dia do soldado,sete de setembro,quinze de novembro etc. acordávamos aos sons da banda dos escoteiros. O Sr Luiz Alves ia na frente ordenando os componentes onde todos com reverencia e com muita decencia tocavam seus estrumentos.

  4. eliel

    Paulo,só você pra nos fazer recordar,tantas histórias que fica, somente na memória, de quem viveu,espero ler mais suas cônicas. vai um abraço.

  5. maria antonia

    gostei dasboasrecordaçoes.parabens.

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