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mar 06

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Artigo: Uma sociedade à deriva em pleno Carnaval

Ibraim Vilar Moisinho
Bacharel em Administração, Policial Militar – PMRN e Especialista em Segurança Pública e Cidadania.

Depois de dois dias de serviço, (Sábado e Domingo) volto hoje para o Terceiro e ultimo dia de Serviço no Carnaval em Apodi/RN. Enquanto todos se divertem cuidamos da segurança dos mesmos… no entanto em alguns momentos, fico a refletir sobre as situações observadas “in loco”.

Fica o questionamento: cadê o conselho tutelar de Apodi, e demais instituições que se dizem defender os direitos da Criança e do Adolescente, que não fiscalizam ou ao menos procuram fazê-lo…?

Multidão tem marcado carnaval em Apodi (Foto: Blog ApoDiário)

Fiquei imaginando se o dito popular “no carnaval tudo pode” se aplica também a infringir tais direitos…

Primeiro, em meio à multidão acompanhando um trio-elétrico no meio de pessoas seminuas, embriagadas, usando drogas, enfim o que se imaginar de atrocidades para os olhos de uma criança.

Observávamos os chamados “arrastões” e em determinado momento, se via uma cidadã desesperada. Havia perdido seu filho de apenas seis anos, no meio dessa multidão (30 a 50 mil pessoas, se não mais). A mãe havia o perdido… chorava, gritava e dizia: “perdi meu filho”.

Podia ter evitado isso. Um detalhe: estava embriagada, não lembrava sequer a cor da roupa que o filho trajava. Sem falar em tantos outras situações que a polícia tinha que resolver.

Resolvemos, com as condições que nos foram dadas.

Mas o que chamou atenção foram os quebra-quebras generalizados que precisavam de nossa intervenção. Por incrível que pareça, nos camarotes. Pessoas que se dizem cultas, se esbofeteando, dando e levando garrafadas. Observei pouca diferença de comportamentos nas pessoas que estavam no camarotes e as que estavam no meio da multidão, próximas ao “pé do palco”

Como já era de se esperar, por nós que fazíamos naquele momento a segurança pública do evento, sobe ao Palco a “Mais esperada atração da noite para os foliões”. Isso era 02h55 da manhã.

A BANDA GRAFITH INICIA SEU SHOW. Não demorou mais que 15 minutos de show, para ter início a um quebra-quebra generalizado, onde se observa, cidadãos se esbofeteando, garrafas de vidro sobrevoando o evento e pousando na cabeça de cidadãos, pessoas sangrando, pessoas caídas ao chão, cidadãos correndo com facas na mão.

Depois de meia hora de intervenção conseguimos controlar os ânimos dos cidadãos que se dizem foliões. Foi muito trabalho, mas a banda voltou a tocar suas “músicas” que embalavam a multidão. Quando pensei que já havia visto as mais improváveis ocorrências naquela noite, que pudessem aparecer, chegam cidadãos aflitos, desesperados pois tinha uma grávida passando mal em meio à multidão e precisava de socorro, claro. Teve que ser levada às pressas ao pronto-socorro da cidade. Demorou muito, (trânsito, pessoas curiosas se aglomeravam para ver o corrido, isso dificulta bastante o socorro).

No meio do corre-corre, fiquei me perguntando: “mas ela não poderia estar em casa repousando?” Ah, no Carnaval tudo pode”. Até eu mesmo, operador de segurança pública fiquei confuso, havia esquecido esse detalhe.

Bem, eram 05h00. Chegara o momento do repouso dos policiais, que já estavam ali desde as 18h00 do dia anterior quando havia iniciado o arrastão. Vamos para o ponto de apoio. Eis que no meio do trajeto observamos várias pessoas gritando, chorando, sangrando, chamavam pela polícia e ali estávamos prontos para atendê-los é claro, e o fizemos.

Quando perguntamos o que aconteceu, quase não entendemos pois “95% dos que estavam ali, pareciam zumbis humanos” de tão bêbados que estavam, mas testemunhas informaram que acabava de acontecer um arrastão, onde os praticantes foram bastante violentos desferindo inclusive coronhadas na cabeça, dos foliões, que retornavam para suas casas. As diligencias prosseguiram.

Fico a refletir, sobre essa realidade, quando hoje terça-feira (4), antes de assumir novamente o serviço, “graças a Deus, o último desse carnaval”, aproveito para continuar a Leitura de Castoriadis, “Uma Sociedade à Deriva”.

Agora sim, consigo entender realmente o que o autor quer nos repassar com esse título chamativo.

Online For men Areia Branca - RN - Confira novidades para o carnaval 2014

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2 comentários

  1. AGNALDO LUIZ DE LEMOS

    Entendo a preocupação do bacharel, mas a violencia que esta acontecendo nas cidades , não são culpa de 4 dias de carnaval, o consumo de droga é uma constante em todas as cidades, portanto creio eu que o papel da policia é da segurança a toda a sociedade. Enfim o que quero dizer é que o CARNAVAL, continuará existindo e alegrando toda uma sociedade, pois todos os casos elencados pelo policial acontecerá no dia a dia, esses fatos não é por conta de 4 dias de folia.

  2. Glauco Araujo

    Concordo com você Agnaldo, pois, vejo também que o grave problema de presenças de criança de braço até e de adolescentes em eventos sociais ou não é uma constante, quero ressaltar que o agravante não é apenas sua presença em si (adolescentes) nesses eventos, mas, o excesso de consumos de bebidas e outras coisas ilícitas.
    Claro que o período momesco é apenas um atrativo e uma oportunidade a mais para tais atos ilícitos, só que nesse período todos de modo geral se aproveitam pra exagerar e depois colocar a culpa no carnaval, pois, nele tudo se pode fazer.

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