Crônica: Em busca das minhas brincadeiras

Não sei se é porque hoje sou adulto (para não dizer quase idoso), e adulto não enxerga as coisas com olhos de crianças, mas o fato é que não vejo graça nenhuma nessas brincadeiras de hoje. E ainda tem brincadeira de criança atualmente?

E essas que representam personagens de ficção de fita infantil, então, nem olho. Já sei que a esta altura, o leitor, se for mesmo o caso, já deve estar se perguntando o que tem a ver espinhaço com cangalha, ou coisa assim.

Mas vamos adiante. Quem de nós nunca brincou verdadeiramente de brincadeira de criança. Falo aqui das brincadeiras de rodas, das cantigas  “tengo telengo tengo/pé de carrapicho/pega fulano e joga na lata do lixo”, “Passarás, passarás quem não for há de ficar/quem for passe a diante que não for fica pra trás/trás, trás…”.

E aquela, “Terezinha de Jesus/de uma queda foi ao chão/Acudiram três cavalheiros todos de chapéu na mão” como também “Eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, maré/Eu sou pobre, pobre, pobre de marré gepê” e ainda mais “A canoa virou e tornou a virar, foi por causa de fulana que não soube navegar”.

Toda vez que relembro fico a cantarolar muitas vezes sozinho, aquelas canções que encantavam a meninada.

Imagem ilustrativa mostra crianças brincando de esconde-esconde

Se fosse para estar ao lado da pessoa amada, na qual todos os amigos eram sabedores. Estes por sua vez, davam total apoio referente ao namoro ou “fica”. Quem nunca brincou de cai no poço? Nessa brincadeira o objetivo era dar um passeio, um abraço, um beijo no rosto ou muitas das vezes aqueles gostosos bicudinhos pessoa deseja. Lembro também da brincadeira chamada de BNB, ou seja, beijo na boca, em que os participantes obrigatoriamente tinham que ter a famosa marquinha das três letras em qualquer parte do corpo. Quem não tinha era punido e teria que pagar a pena com um beijo na pessoa em que o colega indicasse para receber o beijo. Era gostoso demais.

Outras brincadeiras de infância eram Rei Maninho, ou popularmente chamada de “remandinho-remandinho”, cobra cega, passa o anel, fura-chão, pinhão, mão no bolso, roda a chinela, bila ou bola gude, pipa ou papagaio, castanha nas barrocas com direito ao castelo.

Sinto falta dos jogos de vispa ou bingo apostando palitos de fósforos ou carteiras de cigarro vazias. Tenho saudades do vira-vira com figurinhas duplicadas. A brincadeira do avião ou amarelinha, como queira chamar.

Os mais afoitos gostavam de brincadeiras mais resistentes onde correr era o exercício desejado. Você já brincou de tunfo, batelão, esconde-esconde, garrafão, Tica, Tica amigo e policia e ladrão? Quem nunca pelo menos uma vez na vida, não brincou de casinha com direito a cozinhadinho e ao famoso papai e mamãe com a intenção de dormirem juntos, onde rolava ali uns beijinhos e tudo mais. Era uma onda viu.

Outro dia Regi Clésia lembrou e comentou comigo que está bem viva em sua memória as cenas de seu pai quando confeccionava vários móveis como  mesas, cadeiras, guarda-roupa, baquinhas e outros tantos com tábuas de madeira para que ela juntos com as irmãs Emanoela e Chica pudesse passar parte de seu tempo brincando dentro de casa. Elas tinham também algumas bonecas confeccionadas de pano. Regi lembra que quando adolescente se juntava a outras amigas e a febre do momento era trocar papel de cartas coloridos. Cada garotinha tinha a sua coleção.

Francisca lembra que a mesma tinha em casa vários tipos de revista para fazer recorde e com estes formar a casa, a mobília e principalmente a família. Com coisas simples elas davam asas à imaginação. Chica recordou ainda de brincadeiras como “Um, dois, três chocolate inglês”, “Jogo de pedras nas calçadas”. Na brincadeira das pedras chegavam a formar círculos com vários jogadores.

Imagem ilustrativa mostra crianças brincando de roda

Girar o bambolê, fazendo malabarismo desde o pescoço até o pé, passando de um braço para o outro. Adoleta em que os participantes batem as mãos velozmente e cantarolam canções.

O nobre leitor deve estar se perguntando o porquê desse assunto. Digo é que hoje, em conversa com meus preciosos filhos fiz comentários sobre as brincadeiras do passado. Eles ficaram curiosos e até entusiasmados para brincar, querendo até brincar.

Perguntei á todos eles sem exceção, qual seria a brincadeira preferida. Alyssandra e Victória foram enfáticas e citaram as suas brincadeiras preferidas. Olha só como elas são evoluídas. Falaram-me que curtem Playstation, vasculham a internet nas redes sociais, digo Orkut, Facebook, msn, Twitter, E-mail e Jogos. Elas também tem o sonho de possuir o tal do “tablet”, iPhone, iPod, mp3 e mp4. Que coisa maluca, mas fazer o que né?

Quanto a mim e a você que curtirmos um dia quando criança e adolescente, aquelas brincadeiras que já não existem nos dias atuais. Diante disso posso afirmar que soubemos ser felizes, pois tivemos uma infância sadia e inocente. Ó quantas recordações boas.

Como este site é um espaço aberto, comente sobre suas brincadeiras e ajude a enriquecer esta singela crônica que retrata as brincadeiras do passado.

Paulo César de Brito
Cronista areia-branquense

Paulo César

Cronista e colaborador do site Voz de Areia Branca.

11 comentários em “Crônica: Em busca das minhas brincadeiras

  • 5 de julho de 2012 em 22:28
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    parabéns, meu caro. vc c/o sempre nós presenteando c/ boas leituras q/ nós fazem viajar no tempo, e q/ bons tempos…brinquei mto de todas essas bricadeiras,era maravilhoso…

  • 6 de julho de 2012 em 21:35
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    Adoro essa sessão nostalgia! Revivo minha infância.
    Parabéns mais uma vez pelo belo texto.

  • 7 de julho de 2012 em 17:33
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    Adorava todas essas brincadeiras. Brinquei muito também de “passa anel”.

  • 8 de julho de 2012 em 23:10
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    Paulo Cesar ! parabéns pela belissíma crônica. Ao ler estas lembranças fiquei emocionado. Viagei no túnel do tempo….

  • 27 de Março de 2014 em 20:27
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    amigo, fiquei emocionado demais,quanta coisa sadia relembro toda minha infancia, da uma tristeza, tanto adolescente na era da tecnologia,net com certeza as brincadeiras atras eram bem melhores, parabens vc nos emocionou.

  • 28 de Março de 2014 em 14:43
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    Parabéns Paulo Sergio, realmente voce nos propocionou uma viagem formidável ao passado, época em que se era feliz e não sabíamos. Hoje, era cibernética, tecnologia avançada,respostas fácies onde tudo se procura no Google, o que mais se vê é pessoas, principalmente nossos jovens com problemas de depressão, psiquiátrico,e até mesmo de suicídio, porque não são felizes, são uma geração individualista onde cada um manuseando seu celular ou tablete na mão, se esquecem de quem está a sua volta, hoje o que se vê é que num grupo de dez pessoas se duas conversam de verdade, oito estão manuseando o celular. Realmente o prazer das coisas simples me faz muita falta, mais uma vez parabéns!

  • 29 de Março de 2014 em 22:06
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    Sempre, nos fazendo sofrer. lembrado-nos dos tempos, de gloria.valeu Paulo em lembrar dos seus contemporaneos.

  • 31 de Março de 2014 em 8:52
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    Nossa!!! Você está de parabéns Paulo César!!
    Um dia desses estava me lembrando também, e comecei a pesquisar na internet tipos de brincadeiras antigas, por que queria passar para minha filha. Algumas eu encontrei e outras não, também procurei a coleção de papel de cartas, que eu tinha e amava a minha… Se soubesse que no futuro iria ter uma filha, e tivesse tido essa idéia; teria guardado tudo pra ela pois, hoje em dia procuramos essas coisas, esses tipos de brinquedos e incluir as antigas brincadeiras… e parece que tudo aquilo ali, não tem como avançar, estagnou naquela época mesmo, e pronto.
    Mais era tudo muito bom, costumo dizer que tinhamos infância, diferente da época de hoje, que os próprios estão “alienados” na sistemazição.

  • 31 de Março de 2014 em 19:17
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    Caro Paulo,

    Tá virando lugar-comum te parabenizar, pois aí vai mais uma vez, desta feita na língua de Cervantes: ¡ENHORABUENA!

    Fabiano.

  • 5 de Abril de 2014 em 10:38
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    amigo faço minhas as palavras dos seu leitores, adoro suas crônicas pois é uma forma de esta sempre lembrando de coisas que me fizeram muito feliz na nossa querida AREIA BRANCA onde passei minha infância e adolescência,lembrando que as brincadeiras citadas ,todas eu brinquei ,e que as revista cortadas e onde imaginávamos varias brincadeiras ,foi eu que inventou chamava-se de BRINQUEDO DE PAPEL, era muito bom cada uma que queria ter amis coisas ser mais rica ,eu tinha mais claro kkkkkk. Enfim muito bom esse tempo meus filhos hoje só me pedem ,e a tem notbook,xbox,guitarra essas coisas….acho tão sem graça ficam todos alienados na tecnologia e esquecem de ser criança.

  • 17 de Abril de 2016 em 18:02
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    Existia uma brincadeira cujo nome era: garrafão, brincadeira um pouco bizarra, mas quem não gostava?

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