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jul 01

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Poema: O meu avesso por Noamã Pinheiro

Tudo que vem um dia volta
Toda porta dá pra uma saída
O fim sempre veio de um começo
E a dor nunca veio somente de um sofrimento
As guerras são necessárias
Para que a paz permaneça
O não que um dia foi dito
Pode ter sido o sim que nunca deveria ser negado
Cada barreira não é um empecilho
Mas um trampolim para um vôo mais alto
Ser pouco não é ser nada
É tentar ser mais é sempre querer ser muito
Querer não é poder e é quando se ousa querer
Mas qual o poder que não pode?
Como mudar as linhas traçadas?
Como negar as forças já existentes?
Como abafar o grito já dado?
O que fazer quando a alma almeja?
Como dizer ao espírito que não haverá luz?
Como negar-se a ser o que se preparou para ser?
Que mundo seria esse se não houvesse uma forma de colocar mais um ponto?
Que tipo de história seria construída se as letras fosse apenas para serem copiadas?
Que seria de nós, seres humanos, se as forças nos impedissem de sermos o que somos?
Como eu poderia ser se não fosse o que sou?
Que tipo de pessoa seria?
Ou seria ainda uma pessoa?
O avesso está no avesso das coisas
Na procura que jamais foi feita
E no encontro que se realizou
Na fraqueza do corpo
Mas na fortaleza do espírito
Na ferida que sangra
Mas na habilidade do nosso organismo em cicatrizá-la
O avesso está no querer que as vezes não se pode querer
No beijo perdido no ar
No toque que teima em não encontrar a mão
O avesso está no teimar em ser feliz
No lutar por si mesmo
Por acreditar no que sente
Por querer está ao lado mesmo que distante
E as vezes está distante e no mesmo lado
O avesso está na palavra que grito
Mas na lágrima que escondo
Na segurança que transmito
Mas no medo que teima em chegar algumas vezes
O avesso está no que sou
Pois o meu avesso é igual a minha outra parte
Não é uma dobra
Não é  um disfarce
Não é uma sombra…
Ele é o meu  avesso
A minha outra  parte
O meu todo
E quem sabe o meu nada….
Mas de uma coisa há a certeza
Ele não é uma forma estranha do meu ser
Ele é a maneira mais pura que posso oferecer de mim mesmo.

Noamã Pinheiro (Por e-mail)
Envie seu poema, conto ou crônica para publicação no site Voz de Areia Branca. E-mail: carlosjunior@vozdeareiabranca.com.br

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